29 de abril de 2011

Uma olimpíada pra entrar nos anais...

"A Secretária Estadual de Esporte e Lazer, Marcia Lins, participou na tarde desta segunda-feira, 25 de abril, do evento em que o prefeito Eduardo Paes lançou o Concurso Internacional para o Plano Geral Urbanístico do Parque Olímpico Rio 2016. Também estiveram presentes os secretários de Urbanismo, Sergio Dias, de Desenvolvimento, Felipe Góes, da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, e o diretor executivo do Instituto Rio 2014/2016, Bernardo Ribeiro de Carvalho.

Coordenado pelo Instituto Rio 2014/2016, o concurso será realizado em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Situado na Barra da Tijuca, no terreno hoje ocupado pelo Autódromo Nelson Piquet; o Parque Olímpico vai abrigar disputas de 15 modalidades durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Após os Jogos Olímpicos serão erguidos novos empreendimentos que, ao lado dos equipamentos esportivos permanentes formarão uma área que será referência de planejamento e sustentabilidade para a cidade."



Bom, há muito a ser dito...

Nosso automobilismo vive hoje um momento delicado; no último mês tivemos a morte de dois pilotos nas pistas, e estes eventos (divulgados com um interesse muito maior do que a cobertura de corridas) contribuíram para que a mídia taxasse o esporte a motor de assassino, irresponsável e incoerente.

Na minha opinião, não se deve julgar o automobilismo da arquibancada, ou simplesmente pelas notas de um caderno de esportes (coisa que infelizmente acontece). Só quem já esteve dentro de um autódromo, e/ou pilotou um carro pra valer (as freadas levadas no limite, a arte de se conduzir o carro no fino fio da navalha entre o tempo de volta ruim e uma saída de pista desastrosa) aprende que os limites estão muito mais longe de onde se imagina, e reconhece que o esporte na verdade é muito mais do que se vê pela TV.

É um esporte que gera inúmeros empregos (diretos e indiretos), além de possuir uma mão de obra altamente qualificada, que pode ser empregada também em outros setores da economia. Quanto aos eventos realizados, estes garantem um retorno financeiro para a cidade que pode ser comparado aos grandes eventos esportivos e turísticos; com a movimentação da rede hoteleira e aumento do consumo per capita; ou seja, é altamente rentável para o estado.

Quero deixar bem claro que não sou contra a realização da Copa do Mundo! É o esporte nacional, e nada mais lógico (e justo) que o país conhecido como "País do Futebol" seja sede de mais uma edição da competição. Mas, os Jogos Olímpicos são uma indesejada e infeliz obrigação que o país paga para ser aceito no dito primeiro mundo. Um primeiro mundo mentiroso, pois por trás dele há inúmeros problemas internos; negando à sua população condições dignas de saúde, habitação e educação... Isto, para citar só alguns.

Sem contar que as instalações utilizadas para a prática destes esportes (em sua maioria com pouca ou nenhuma tradição no país), têm um alto custo de implementação e prazo de validade que expira ao fim dos jogos; pois após os eventos se transformam em verdadeiros elefantes brancos. Temos este exemplo aqui mesmo no Rio de Janeiro, com o parque aquático Maria Lenk e o Velódromo; onde a promessa de inclusão social por meio do esporte está longe de ser uma realidade. Ambas as instalações foram pouco utilizadas após o Pan, e encontram-se atualmente em visível estado de abandono (o parque aquático inclusive - não poderá ser utilizados nos jogos de 2016, por ter sido construído com capacidade abaixo da exigida pelo COI -  tem como única função ser um enorme criadouro do mosquito da Dengue).

A cada dia que passa, a farsa do novo autódromo de Deodoro parece mais visível. O tempo está passando e até agora nem mesmo os estudos ambientais e de topografia foram realizados, ninguém se pronunciou sobre início das obras. 2016 já está quase chegando! E se um governo como o nosso não resolveu problemas com chuvas e alagamentos na Praça da Bandeira (que datam da década de 20), não acredito que consigam construir um autódromo “aceitável” em menos de 5 anos...

Além disso, a viabilidade econômica deste novo empreendimento (ou dessa mentira, como queiram) é bem questionável; o custo do complexo esportivo de Deodoro (que inclui o autódromo), segundo o Sr. Ruy Cézar (secretário especial da Copa 2014 e Rio 2016) gira em torno de R$ 300 milhões... Sendo deste valor, apenas R$ 54 milhões oriundos da Prefeitura e o restante ao Ministério dos Esportes e demais investidores. Bom, R$ 300 milhões é muito dinheiro em qualquer lugar do mundo, e, por mais que tenham prometido ao COI, existem certas coisas que são por demais absurdas para serem cumpridas. A demolição de Jacarepaguá é uma delas.

Mantendo-se o autódromo onde ele está hoje, reativando o setor Norte – mutilado para o Pan 2007, mas ainda recuperável – o valor que seria responsabilidade da Prefeitura seria o suficiente. Para isso, basta transferir os futuros elefantes brancos olímpicos para Deodoro, onde estarão próximos à população carente (que o COB diz querer tanto ajudar com a tal “inclusão pelo esporte”). E os R$ 300 milhões que seriam gastos em um novo autódromo, podem ser utilizados nas obras de revitalização do Porto, na conclusão da TransCarioca e da TransOeste, e por aí vai...

Enfim, o que se vê hoje é uma briga não por espaço, e sim PELO espaço. O autódromo vem sendo alvo da ganância de construtoras que têm “amiguinhos” na Prefeitura desde antes dos Jogos Pan-Americanos de 2007; têm a ver com especulação imobiliária, troca de favores, lavagem de dinheiro, enfim... Como eu disse: ainda há muito a ser dito, mas isto é um assunto para outro post... Fecho este, com uma imagem retirada do ótimo Blog SOS Autódromo RJ, onde há muito mais informações sobre essa covardia que infelizmente está prestes a acontecer no Rio.


Nenhum comentário:

Postar um comentário