(Demorou, mas saiu) Já falei sobre o circuito da Gávea aqui no blog, mas não especificamente sobre a corrida de 1937. Uma das histórias mais fantásticas do nosso automobilismo.
Vou contar desde o início.
A década de 30 ficou marcada pelo nascimento do automobilismo no Brasil. Alavancado pela entrada das montadoras Ford e General Motors, as competições se multiplicavam por todo o país. O primeiro evento automobilístico a atrair competidores estrangeiros foi a Subida de Montanha de Petrópolis, que teve sua prova inaugural vencida por Hans Stuck em 1932.
Vou contar desde o início.
A década de 30 ficou marcada pelo nascimento do automobilismo no Brasil. Alavancado pela entrada das montadoras Ford e General Motors, as competições se multiplicavam por todo o país. O primeiro evento automobilístico a atrair competidores estrangeiros foi a Subida de Montanha de Petrópolis, que teve sua prova inaugural vencida por Hans Stuck em 1932.
Em 1933, incentivado pelo piloto Manuel de Teffé, Getúlio Vargas cria o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro. O palco escolhido para sediar a prova foi o Circuito da Gávea. Um traçado sinuoso, que se estendia por 11 quilômetros e mais de 100 curvas, reunindo os mais diversos tipos de piso (entre eles asfalto, cimento, paralelepípedo e areia). Devido às características o circuito ficou conhecido como "Trampolim do Diabo".Em 1936, o sucesso da prova foi tanto que aconteceram as primeiras participações de peso aqui no Rio. A Scuderia Ferrari (na época, apenas uma divisão esportiva da Alfa Romeo) por exemplo, enviou dois de seus pilotos do segundo escalão; eram eles Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni. Ambos acabaram abandonando a prova de 1936 com problemas no diferencial. A piloto francesa Hellè-Nice também correu naquele ano, mas foi outra a abandonar por problemas no carro.
No ano seguinte o circuito viveu sua história mais fantástica. Após o abandono no ano anterior, Carlo Pintacuda alinhava novamente sua Ferrari no circuito carioca. Porém, dessa vez o grid contava com uma participação ilustre: o famoso Auto Union Type C de Hans Stuck. Um monstro que chegou com o status de grande favorito, claro.
Mas, além da chuva fina que caía no dia, o traçado sinuoso ajudou Pintacuda a levar vantagem sobre o potente conjunto alemão. Stuck chegou a liderar, mas teve de fazer uma parada nos boxes e, quando voltou à prova, demorou para alcançar o italiano. E só o fez porque este passou a ter problemas com o combustível.
Fazendo todo o trecho final "na banguela", Pintacuda segurou Hans Stuck no braço, conseguindo uma vitória histórica contra um dos ícones da história do automobilismo. E justo aqui, em plena zona sul do Rio de Janeiro...
Mais incrível do que poder hoje, andar como o meu carro por grande parte deste circuito, é ver essas imagens aí embaixo. Cenas desta corrida de 1937. Não tenho nem palavras... Curtam aí.
Na busca por detalhes sobre a corrida, achei este site aqui. É riquíssimo em imagens desta prova e outras tantas da mesma época. Nem preciso dizer que vale muito a visita.

Hermosa curva cerrada la de la foto; seguro que doblaban muy despacio, ¿no?
ResponderExcluirEl Auto Unión es de mis preferidos.
Abrazos!
Sim Juanh, acredito que era contornada bem devagar...
ResponderExcluirComo atualmente é uma área de comunidade (favela), é quase impossível até mesmo passar de carro ali.