25 de setembro de 2012

Rio, 1937

(Demorou, mas saiu) Já falei sobre o circuito da Gávea aqui no blog, mas não especificamente sobre a corrida de 1937. Uma das histórias mais fantásticas do nosso automobilismo.

Vou contar desde o início.

A década de 30 ficou marcada pelo nascimento do automobilismo no Brasil. Alavancado pela entrada das montadoras Ford e General Motors, as competições se multiplicavam por todo o  país. O primeiro evento automobilístico a atrair competidores estrangeiros foi a Subida de Montanha de Petrópolis, que  teve sua prova inaugural vencida por Hans Stuck em 1932.

Em 1933, incentivado pelo piloto Manuel de Teffé, Getúlio Vargas cria o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro. O palco escolhido para sediar a prova foi o Circuito da Gávea. Um traçado sinuoso, que se estendia por 11 quilômetros e mais de 100 curvas, reunindo os mais diversos tipos de piso (entre eles asfalto, cimento, paralelepípedo e areia). Devido às características o circuito ficou conhecido como "Trampolim do Diabo".

Foi por aqui que em 1934 Chico Landi (que posteriormente viria a ser o primeiro brasileiro na F1), iniciou-se como  piloto. Porém, o fato mais marcante das três primeiras etapas aconteceu em 1935. Um acidente na Av. Visconde de Albuquerque vitimou o piloto Irineu Correa, considerado um dos mais talentosos do país. Irineu foi o vencedor da etapa no ano anterior e famoso internacionalmente.

Em 1936, o sucesso da prova foi tanto que aconteceram as primeiras participações de peso aqui no Rio. A Scuderia Ferrari (na época, apenas uma divisão esportiva da Alfa Romeo) por exemplo, enviou dois de seus pilotos do segundo escalão; eram eles Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni. Ambos acabaram abandonando a prova de 1936 com problemas no diferencial. A piloto francesa Hellè-Nice também correu naquele ano, mas foi outra a abandonar por problemas no carro.

No ano seguinte o circuito viveu sua história mais fantástica. Após o abandono no ano anterior, Carlo Pintacuda alinhava novamente sua Ferrari no circuito carioca. Porém, dessa vez o grid contava com uma participação ilustre: o famoso Auto Union Type C de Hans Stuck. Um monstro que chegou com o status de  grande favorito, claro.
Mas, além da chuva fina que caía no dia, o traçado sinuoso ajudou Pintacuda a levar vantagem sobre o potente conjunto alemão. Stuck chegou a liderar, mas teve de fazer uma parada nos boxes e, quando voltou à prova, demorou para alcançar o italiano. E só o fez porque este passou a ter problemas com o combustível. 
Fazendo todo o trecho final "na banguela", Pintacuda segurou Hans Stuck no braço, conseguindo uma vitória histórica contra um dos ícones da história do automobilismo. E justo aqui, em plena zona sul do Rio de Janeiro...

Mais incrível do que poder hoje, andar como o meu carro por grande parte deste circuito, é ver essas imagens aí embaixo. Cenas desta corrida de 1937. Não tenho nem palavras... Curtam aí.



Na busca por detalhes sobre a corrida, achei este site aqui. É riquíssimo em imagens desta prova e outras tantas da mesma época. Nem preciso dizer que vale muito a visita.

2 comentários:

  1. Hermosa curva cerrada la de la foto; seguro que doblaban muy despacio, ¿no?
    El Auto Unión es de mis preferidos.
    Abrazos!

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  2. Sim Juanh, acredito que era contornada bem devagar...

    Como atualmente é uma área de comunidade (favela), é quase impossível até mesmo passar de carro ali.

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