19 de março de 2013

Sobre o automobilismo "verde"

Ainda sobre o assunto aí embaixo - leia-se redução de emissão de poluentes no automobilismo, carros de corrida "verdes" e essa baboseira toda - vou explicar porque sou contra essa tal de Fórmula E.

Para efeito de comparação, vou tomar como parâmetro o meu carro de uso diário. Um modesto 1.0 de 2012, que, com a quilometragem rodada por dia (em torno de 35 quilômetros), emite um montante de 2.893,7 Kg de CO2e/ano. Somando-se a isso a baixa quilometragem mensal da minha Fiat 147, chegamos a pouco mais de três toneladas de gás carbônico emitidas por ano. Pois bem, eu fodo a camada de ozônio em 3 toneladas de CO2e/ano. Que caso fossem transformados em árvores, me valeriam uma dívida de 17 árvores a serem plantadas a cada nova primavera.

Ah, mas andar de carro todos os dias é um comodismo. É desnecessário e eticétera - dirão vocês.

Não, não é! Pois enquanto o Estado não me der condições de adotar o transporte público como meio de locomoção (e ao invés disso me oferecer um serviço de merda), eu prefiro pagar impostos abusivos para continuar fodendo a camada de ozônio com 3 toneladas de CO2e/ano. Tudo isso em troca de um pouco de conforto. É um direito que eu tenho. Ponto.

"E o que isso tem a ver com a F1, Jaime?" - indagarão vocês.

Pois bem.

Um estudo divulgado pela F1 Team's Association (a FOTA) aponta que, durante toda a temporada de 2011, os carros de F1 foram responsáveis por despejar 486.000 Kg CO2e/ano na atmosfera. Ou seja, "apenas" 162 vezes mais do que o que eu despejo com o meu Classic e minha Fiat 147 juntos.

Muito?

Bom, isso representa apenas 0.23% das estratosféricas 208.373 toneladas CO2e/ano que o circo da Fórmula 1 polui (somando o gasto com eletricidade dos túneis de vento, desenvolvimento de peças, transportes aéreo e marítimo, combustível para isso tudo e eticéteras). Ou seja, substituir os atuais motores a combustão por motores de carrinhos de controle remoto não irá salvar o planeta. Não irá sequer, contribuir para a redução dos índices de emissão de CO2e/ano de forma significativa. Afinal, de que adianta mudarmos os carros se tudo em volta vai continuar fodendo a natureza do mesmo jeito?

Mas, o que adianta, então?

Engana-se quem acredita que a reposta está no automobilismo. Não está. O que resolve essa merda, basicamente, é a redução dos problemas de infra-estrutura de transportes nas grandes cidades.

Porque uma boa rede de metrô, uma malha ferroviária eficiente e um transporte rodoviário (leia-se ônibus, vans, táxis, jumentos e afins) que funcione, podem sim, fazer com que muito mais do que 162 filhos-da-puta como eu deixem seus Classics e Fiats 147 em casa, optando pelo transporte em massa para se locomover.

Mas é mais fácil destruirmos autódromos mundo afora e taxarmos o esporte a motor de inútil, poluente e condená-lo à morte do que analisarmos o que o prefeito está fazendo, ou o que o(a) presidente está fazendo, e até mesmo o que nós mesmos estamos fazendo...

Pois é.

Continuamos todos fodendo com a natureza.

6 comentários:

  1. Na verdade a ideia é muito boa, o automobilismo sempre serviu de laboratório pras montadoras. Na ultima década a F1 estava indo para o caminho oposto, tanto que as montadoras estavam insatisfeitas e ameaçaram sair da F1.

    O principal objetivo é conseguir patrocinio pra desenvolver novas tecnologias que servirão para nossos carros do dia a dia. E é aí que entra a história de um automoblismo mais verde. As montadoras sabem que os consumidores estao atentos a tecnologias mais limpas, e elas precisam do dinheiro do automobilismo pra bancar essas pesquisas. Carros elétricos e de combustíveis alternativos ja existem a decadas, mas o desenvolvimento era lento, porque o grande centro de pesquisas é a F1. A exigência de carros mais limpos, claramente nao parte de preocupação da FIA, ou qualquer outro orgao regulamentador do automobilismo. Mas sim da pressao que as montadoras fizeram na ultima década. Com isso esperasse que a tecnologia de combustivel limpo de um salto muito grande. E isso não inclui somente os carros, mas qualquer tipo de motor. São motores de trens, de aeronaves, de caminhoes e de toda malha que voce menciona.

    No meu entender, a ideia não só é valida, mas como muito importante e acertada. Pense que os motores da F1 sao os motores mais economicos ja desenvolvidos, se for levarmos em conta a potencia gigantesca que ele gera.

    A diminuição da potencia dos motores, nada tem a ver com a segurança dos pilotos, mas é um meio estratégico das montadoras poderem desenvolver tecnoligas que podem ser usadas em carros de passeio, e de forma mais barata. Todos sabemos que se isso não fosse direcionado os pilotos hoje em dia estariam dirigindo verdadeiros foguetes, o que nao interessa a nenhuma montadora, desenvolver coisas muito caras que eles só poderiam vender a poucos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Carros elétricos e de combustíveis alternativos ja existem a decadas, mas o desenvolvimento era lento, porque o grande centro de pesquisas é a F1"

      Não. O desenvolvimento é lento (e continuará sendo), porque tem muita gente que ganha MUITO dinheiro com os combustíveis fósseis... Simples assim.

      E outra: carros menos poluentes são sim, do interesse da FIA. Afinal, o "A" no nome da sigla é de "Automóvel", e não de "Automobilismo", como todo mundo imagina.

      Excluir
  2. Eu tenho uma pergunta.
    Para gerar eletricidade também não se fode o meio ambiente?
    Construir hidrelétricas não detona também uma porrada de ecossistemas?

    ResponderExcluir
  3. O que interessa se o carro é verde ou não, se daqui há alguns anos todos os carros ficarão parados em engarrafamentos gigantescos... Assim como os países desenvolvidos já descobriram, carro é para ser usado no final de semana, no dia a dia o que é usado é o transporte público, isso para ricos e pobres. E para esse sim, devería haver estudo e investimento.

    ResponderExcluir
  4. De que adiante o carro ser verde ou não, se daqui há alguns anos todos os dois estarão parados em engarrafamentos gigantescos. Assim como já foi descoberto pelos países desenvolvidos, carro é para ser usado nos finais de semana, no dia dia o transporte utilizado é o público... tanto para os ricos qt para os pobres. Essa é a idéia, por isso acredito que esse sim merece estudo e investimento para viabilização de um transporte de massa eficiente.

    ResponderExcluir
  5. Para todos os efeitos estamos fudendo o meio ambiente, seja com carros elétricos ou não.

    Assim, minha opnião de merda (rsrsrs), carros de competição tem que ter aquele som grave e estrondoso...basta clicar aqui e ver o video do Grupo B - http://blogdoboueri.blogspot.com.br/2013/03/the-beast.html, altamente recomendado volume no máximo.

    ResponderExcluir