30 de abril de 2013

Destino

Hoje completam-se 19 anos da morte de Roland Ratzenberger em Ímola, 1994.

O jovem Roland. O esquecido Ratzenberger. Acima de tudo, um competente piloto austríaco que tem uma história lindíssima. Porém, desconhecida para a grande maioria que chorou copiosamente a morte de Ayrton Senna no dia seguinte à sua morte.

O automobilismo tem dessas injustiças mesmo.

O destino também.



Mas como disse, a história do rapaz é bem bonita, e está aí embaixo.

Roland Ratzenberger nasceu em 1960, e foi apresentado ao mundo das corridas pela sua avó, que o levou para assistir Jochen Rindt - ainda em início de carreira - em uma prova de subida de montanha, na Áustria. Nascia ali o sonho do jovem austríaco de se tornar piloto de corridas.

Após completar parcialmente seus estudos - e contrariando toda a família - Roland pegou todo o dinheiro de que dispunha e se decidiu se aventurar em uma escola de pilotagem em Monza, na Itália. Para sobreviver financeiramente  trabalhava como mecânico e treinava com um Fórmula Ford da equipe que o empregava quando sobrava algum tempo livre.

O destino se encarregou de fazer com que Ratzenberger sentasse nesse Fórmula Ford como piloto oficial. 

E ele não decepcionou. 

Venceu os campeonatos Austríaco e Centro-Europeu da categoria, além de conseguir um segundo lugar no campeonato alemão e um quarto lugar no campeonato inglês.

Mesmo com esses resultados, o austríaco não conseguiu uma vaga na F3 (então um degrau acima) e teve de se contentar com mais um ano disputando a F-Ford, em 1986. Mais uma vez o destino lhe sorriu, pois a vitória apertada no tradicional Festival de F-Ford de Brands Hatch (contra Eddie Irvine) lhe rendeu a visibilidade necessária para que a equipe West Surrey (a mesma que havia revelado Senna em 1983) lhe concedesse uma chance na F3 inglesa.

Em dois anos na F3, Ratzenberger não passou de um 12º lugar no campeonato, e decidiu dar outro rumo à sua carreira. Abriu mão do sonho de sentar em um F1 para correr em carros de todo o tipo. Passando pelo Mundial de Turismo (WTCC), monopostos da F3000 e até mesmo os Esporte Protótipo (pela Toyota). Neste último, conseguiu bons resultados e foi convidado a se mudar em definitivo para o Japão, e participar do campeonato japonês de Turismo.

Era o destino, mais uma vez conspirando a seu favor.

Com ele, também seguiram pelo mesmo caminho nomes como Heinz-Harald Frentzen, Eddie Irvine, Mika Salo e Jeff Krosnoff.

Todos eles conseguiram um lugar ao sol na F1 (a exceção de Krosnoff, que participou do projeto Toyota na Indy), o que incentivou Ratzenberger a voltar a perseguir seu sonho. Sua meta era sentar em um F1 a qualquer custo.

E assim foi. Sua vasta experiência em monopostos e carros velozes dos mais diversos tipos lhe rendeu um assento na modesta Simtek, que estrearia em 1994. O carro era lento, e não conseguiram nem mesmo se classificar para a etapa de abertura da temporada, em Interlagos. Mas o austríaco não era de desistir sem lutar, e aproveitou que a segunda etapa era em uma pista amplamente conhecida por ele - Aida, no Japão - e alinhou seu carro lilás na 26ª e última posição do grid. Não bastasse o feito, ainda terminou a prova em 11º (a cinco voltas do vencedor Schumacher).

Antes de embarcar para Ímola, Ratzenberger voltou à sua cidade natal e após uma longa conversa com seu pai, os dois se reconciliaram. Como se fosse obra do destino, aquela seria a última vez que os dois se veriam.



Hoje completam-se 19 anos da busca por mais uma largada. Faz 19 anos que um jovem austríaco conseguiu realizar seu sonho de menino: estar lá. Pura e simplesmente. Faz 19 anos que o - já não tão jovem assim - Ratzenberger tentava provar para ele e para os outros o quanto era veloz e capaz.

E disso ninguém tem dúvida.

Pena que o destino nos privou de um piloto tão talentoso como Roland.

O destino.

A favor ou contra, sempre ele.

Um comentário:

  1. Cara, muito interessante! Eu sempre acompanhei F1 nesta época eu era um pirralho de apenas 7 anos, mas ja era um fisurado na categoria. E um piloto que marcou muito essa época foi exatamente o Roland,era um cara que eu gostava bastante, e quando vi o carro dele batido no treino foi algo que marcou muito! Apesar de nunca ter ouvido alguem falar dele ou comentar, eu sempre lembrei dele! Aquele fim de semana foi na minha opinião o mais esquisito e o mais tenebroso de todos os tempos! Quando lembro chega a bater um cala frio, mas aconteceu, e foi muito legal vc contar a história dele! Muito bom !

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