8 de abril de 2013

Efeito solo

Sempre tive a curiosidade de entender o porque de carros de F1 do final dos anos 70' e início dos anos 80' abolirem o aerofólio dianteiro em diversas ocasiões. Como acredito que essa seja uma dúvida bastante comum, pesquisei bastante sobre o chamado efeito-solo ou, sobre os carros-asa - que acabam sendo uma coisa só - e aqui está o resultado.

Pois bem.

Aí embaixo vemos o Lotus 79, carro que foi o precursor na utilização do efeito-solo, e que rendeu a Mario Andretti o título mundial em 1978. O clique é do gepê da Bélgica, em Zolder.



Mas, o que esse carro tinha de tão diferente? Por que foi tão revolucionário?

Sob os bolsões laterais, o Lotus 79 - assim como seu predecessor, o Lotus 78 - possuía um perfil de asa de avião invertida, de forma que o ar frontal que entrava por baixo dos bolsões ficava confinado, e a passagem de ar ia se restringindo, obrigando o ar a acelerar, o que reduzia a pressão sob o carro, gerando downforce.

Enquanto isso, as laterais dos bolsões e as minissaias, separavam este ar pressurizado que circulava no assoalho do carro do ar atmosférico, evitando que este entrasse por baixo do carro pelas laterais e anulasse o efeito asa.







Mas, ao mesmo tempo em que eram rápidos, os carros-asa não eram nada fáceis de pilotar. Muito pelo contrário. Aí embaixo, alguns trechos do livro "A arte de pilotar", onde Emerson Fittipaldi fala um pouco sobre a sua experiência guiando esse tipo de carro:

"Um sistema de molas e roletas mantinha as saias pressionadas contra a superfície da pista o tempo todo e não havia vazamentos no vácuo que se criava embaixo do carro. Então, era necessário andar como se fosse sobre trilhos, porque os aerofólios, as asas dianteiras e a aerodinâmica que havia por baixo do carro deixariam de operar e se perderia quase toda a pressão se o carro estivesse de lado."
"Devido a toda a pressão e à sucção, havia muita carga aerodinâmica no eixo dianteiro e a direção era muito pesada. Os carros geravam tanta força para baixo e tinham uma baixa pressão tão fenomenal embaixo deles, que não havia maneira nenhuma de você sentir ou ser avisado quando o carro começava a derrapar. Quando você percebia, ele já tinha ido embora!"
"Naqueles carros, o piloto não podia sentir o escorregar dos pneus em relação à pista. Os pilotos "sentem" o carro por estes movimentos e, se esta referência não existir, sua tarefa fica muito mais difícil. Esta era uma das razões por que esses carros não davam aviso prévio. Em um determinado momento, você estava colado no chão e, no instante seguinte, virava passageiro do carro, sem a menor chance de recuperação" 

Com os carros cada vez mais perigosos, veio a tragédia. E, devido ao acidente fatal de Gilles Villeneuve em 1982, a FIA decidiu por proibir os carros-asa, exigindo que todos os carros a partir de 1983 tivessem o assoalho plano.

Mas o conceito permaneceria vivo.

Os engenheiros desenvolveram então os difusores traseiros (simples, duplos, triplos, com Egg X Bacon e eticétera), que nada mais são do que uma adaptação do efeito-solo para as regras atuais. O conceito é o mesmo. A única coisa que - obviamente - se distingue é a intensidade do resultado final: infinitamente menor do que o que era proporcionado pelos carros com efeito-solo integral.

Mas, assim como as saias laterias dos carros-asa, o difusor duplo também foi banido ao fim de 2009. Assim, as equipes têm buscado um melhor aproveitamento dos gases oriundos do escapamento como uma forma de recriar o efeito-solo.

Não sei quanto à vocês, mas eu acho impressionante ver como um conceito do final dos anos 70' ainda pode ser aplicado nos dias de hoje como chave para uma boa performance nas pistas.

2 comentários:

  1. O efeito de vácuo embaixo do carro ainda existe, mas sempre novidades são proibidas.
    Mesmo com a proibição das minissaias, os difusores dianteiros criavam um vortex e o ar desse vortex funcionava como uma minissaia aerodinâmica.
    Os difusores já foram proibidos, assim como o assoalho uplo, mas os difusores normais ainda estão lá, mas geram pouco vácuo e geram vácuo igual entre os carros.

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