7 de maio de 2013

Molykote

(Entendedores entenderão) Na abertura da temporada de 1989, Jacarepaguá recebia seu último GP de Fórmula 1. E um brasileiro com pouca (ou melhor, nenhuma) experiência em pódios foi o responsável por salvar a pátria.

Explico.

Senna conseguira a pole, e - depois da temporada meteórica da McLaren em 1988 - era o favorito para a vitória. Ao seu lado largava a Williams de Ricardo Patrese. Na segunda fila aparecia a Ferrari de Berger tendo ao seu lado a outra Williams, do estreante Thierry Boutsen.

Pois bem. Tanto Berger quanto Patrese largam melhor do que Senna, e tentam a ultrapassagem - cada um por um lado - já na freada para a curva 1, e o brasileiro acabou ficando no meio do "sanduíche".



Berger abandonou e Senna teria de dar uma volta completa sem a asa dianteira. Com isso, Patrese herdou a liderança, e era seguido por Thierry Boutsen com a outra Williams.

Nigel Mansell - estreando pela Ferrari - aproveitou toda essa confusão e pulou para terceiro - nada mal para quem havia largado em um modesto sexto lugar - e tinha um único objetivo: andar forte para fazer a sua estratégia de duas paradas funcionar.

Na terceira volta, o leão foi beneficiado pelo abandono de Boutsen e partiu para cima da outra Williams, a de Patrese. Assumiu a liderança com uma ultrapassagem na 15ª volta, e fez sua primeira parada 6 voltas depois.

Mansell voltou à pista somente atrás de Patrese e Prost, com pneus desgastados. E Prost ainda sofria com problemas de embreagem, que o impediam de fazer qualquer parada de box (caso contrário o  motor apagaria e ele teria de abandonar).

O inglês não demorou para passar pelos dois.

Patrese fez sua parada somente na volta 51, e voltou em quarto lugar, Atrás de Mauricio Gugelmin, que - com o modesto, porém veloz carro da March - também optara por uma estratégia de duas paradas e já havia feito ambas. 



Patrese passou.

Passou e teve problemas com o alternador pouco depois, sendo obrigado a abandonar.

Era o primeiro pódio da carreira de Gugelmin caindo em seu colo. E melhor: em casa.

Mansell venceu a sua corrida de estréia pela equipe de Maranello - que curiosamente também estreava o câmbio borboleta em seus carros - seguido de Prost, Gugelmin e Johnny Herbert (em sua corrida de estréia).

Com a palavra, "o salvador da pátria":

“Passei a ver que meu carro estava melhor em curva do que a McLaren. Andávamos bem nas tomadas de alta, e por duas vezes quase superei o Prost. Com um pouco mais de experiência, acho que teria conseguido. Mas a temperatura do óleo começou a subir demais e resolvi preservar aquele resultado, levando o carro até o final”

“Subir ao pódio foi como uma vitória para mim. O Ayrton Senna e o Nelson Piquet tiveram problemas e, de repente, virei o “salvador da pátria”. Eu passava na reta e sentia o pessoal na arquibancada mexer, vibrar… é uma experiência que até hoje eu não esqueço”.

E tem vídeo, até. Presente pra vocês aí embaixo. 

3 comentários:

  1. Hoje isto seria ligeiramente impossível. Ligeiramente...

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  2. Estranho é o cidadão atravessar a pista correndo logo antes da bandeirada.

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  3. "Ligeiramente" por conta dos carros feiosos da F1 atual, por ver uma equipe mediana no pódio, pelas pistas "coxinha", ou por Jacarepaguá não existir mais? Ou, por tudo isso e mais um pouco?!

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