23 de maio de 2013

Montadoras Nacionais [Brasinca]

A montadora de hoje na série 'Montadoras Nacionais' é a Brasinca Ferramentas, Carrocerias e Veículos S.A. Ou simplesmente Brasinca.

Rigoberto Soler Gisbert, um espanhol radicado no Brasil com passagens pelas fábricas da Vemag e Willys, era diretor da 'Brasinca Ferramentas, Carrocerias e Veículos' - fabricante de carrocerias para caminhões e ônibus em São Caetano do Sul/SP - e foi o principal idealizador de um cupê esportivo de grande cilindrada e alto desempenho a ser produzido para rivalizar com o Willys Interlagos.

Nascia assim o embrião de um dos mais fantásticos - e raros - modelos nacionais: O 4200GT. Que ficaria mais conhecido pelo codinome Uirapuru.

Diferente do rival da Willys, o Uirapuru contava com uma carroceria monobloco feita em chapa de aço (desenvolvida a partir de estudos em túnel de vento) e tinha as características básicas de um esportivo: frente longa com um perfil baixo e agressivo, traseira curta e entradas de ar espalhadas no capô e nas laterais (logo após as rodas dianteiras, com o intuito de refrigerar os freios a tambor). O vidro traseiro era envolvente, enquanto o porta-malas era praticamente todo ocupado pelo estepe.


A motorização também impressionava. Sem um automóvel nacional com potência e torque adequados aos objetivos do carro, a solução encontrada foi equipar o Uirapuru com o motor de seis cilindros em linha dos caminhões Chevrolet. 

Isso mesmo! O capô abrigava um conjunto que - juntamente com os três carburadores e o câmbio Clark de três marchas (com embreagem de comando hidráulico) - despejava nada menos do que 166 cavalos de potência. Essa usina fazia com que a primeira marcha empurrasse o carro a mais de 100 km/h, a segunda fizesse-o chegar a 150 km/h e a terceira entregasse 200 km/h. Era tanto torque, que quem já dirigiu o carro garante que a saúde do motor parece não ter fim...

Aliás, esse recorde de velocidade só foi batido nos anos 90, pelo Chevrolet Ômega.

Enfim, o 4200GT foi lançado ao mercado em 1965, e atingiu o número de 50 unidades fabricadas ao longo de um ano. Entretanto, a Brasinca entendia que uma escala tão reduzida não era viável para um retorno financeiro, e optou por transferir os direitos de produção e comercialização para terceiros.

É aí que entra na história a STV (Sociedade Técnica de Veículos), que não só deu continuidade ao projeto Uirapuru, como também criou uma equipe de competição como tentativa de alavancar a divulgação do carro. Essa versão "de corrida" era dotada - dentre outras coisas - de freios a disco, três carburadores Weber SJOE e um câmbio de quatro marchas (emprestado do Chevrolet Corvette).


A equipe teve um relativo sucesso, e o carro acabou sendo campeão paulista da categoria Protótipo com um dos sócios da STV - Walter Hahn Jr. - ao volante.

No V Salão do Automóvel -  também em 1966 - o 4200GT foi apresentado com algumas modificações. Destacavam-se os faróis dianteiros retangulares mais harmoniosos e integrados ao desenho da dianteira, o escapamento remodelado para diminuir o nível de ruído e um novo painel interno, que agora comportava um rádio de série.

Nesta mesma ocasião seriam apresentados os modelos conversível (com somente três unidades fabricadas) e furgão - este, em modelo único - com o propósito de ser utilizado no patrulhamento rodoviário. O Gavião - como ficou conhecido - era totalmente blindado, além de contar com duas metralhadoras com acionamento interno embutidas na grade dianteira.

Dizem que este exemplar foi doado ao 1° Grupamento de Polícia Rodoviária de Via Anchieta/SP, e utilizado por algum tempo até desaparecer sem deixar qualquer rastro. Um pecado.





Mas, o alto custo de fabricação fez com que a STV/Brasinca abandonasse todos os projetos relacionados ao Uirapuru - produzindo ao todo apenas 77 unidades do carrinho - e se dedicasse exclusivamente à fabricação de adaptações em fibra de vidro para caminhonetes - como a D20 e Saveiro, por exemplo - até sucumbir à abertura das importações, em 1990.






Detalhe: já tive a oportunidade de ver um desses raros modelos - o de 1966, com faróis retangulares - ao vivo em um encontro de antigos aqui no Rio, e posso dizer que é um dos carros mais fantásticos que eu já vi.

5 comentários:

  1. Jaime,

    o Uirapuru tem belas linhas mas é raro vê-lo nas ruas...

    belo post...

    abs...

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  2. Esse carro é fantástico. Eu já 2 exemplares pessoalmente e creio que são um dos poucos realmente esportivos da época. Dá baile até hoje em muitos "esportivos" brasileiros.

    Um forte abraço!

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  3. Eu tive o prazer de trabalhar na Brasinca Ferramentaria na Vila Livieiro (SP) na decada de 90.
    Bons tempos

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  4. trabalhei na brasinca carrocerias em são caetano do sul nos anos 90 bons tempos hoje 09/10/2014 trabalho na pirelli pneus em santo andré e posso falar uma coisa como mudou as poucas empresas que sobraram no abc paulista tempos bons aqueles.

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  5. Eu trabalhei na Brasinca na fabrica de sao bernardo,que saudades....nunca trabalhei numa empresa tao boa....

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