16 de maio de 2013

Montadoras Nacionais [Miura]

Dando prosseguimento à serie 'Montadoras Nacionais', hoje falaremos sobre a gaúcha Besson, Gobbi S.A., que ficou popularmente conhecida como Miura.



Inspirado no italiano Urraco P250 e com o desenho da carroceria feito por um estudante de arquitetura, o primeiro Miura foi apresentado ao público no Salão do Automóvel de 1976. O protótipo - praticamente artesanal - contava com mecânica (câmbio, suspensão e chassis) de VW Brasília e motor VW 1.600 sob uma carroceria que combinava plástico com fibra de vidro.

Entre os itens de série destacavam-se os icônicos faróis dianteiros escamoteáveis, bancos em couro, limpadores de pára-brisa escondidos sob o capô, além do volante e pedais com regulagem eletrônica (o que, até os dias de hoje não é algo comum de se ver). O ar-condicionado, o acionamento elétrico dos vidros e o rádio toca-fitas eram itens opcionais.

Com tantos "mimos", o Miura que passou a ser comercializado em 1977 só pecava em um ponto: para um modelo esportivo, apresentava um fraco desempenho. O carro era muito pesado para os 54 cv de potência do VW 1.600 a ar.

Mesmo assim, o carro fez um relativo sucesso. Em 1980, cerca de 600 Miuras foram comercializados - inclusive para outros países da América do Sul - e essas vendas alavancaram o aumento da fábrica e a duplicação do número de empregados.

Em 1981 nascia o Miura MTS, que deixou de ter refrigeração a ar, e passou a contar com o motor 1.6 do VW Passat TS, refrigerado por um radiador instalado na frente do carro. Isso melhorou o desempenho, mas o chassis e a suspensão ainda deixavam a desejar no quesito desempenho.

1982 foi o ano da virada para o Miura. O modelo Targa - lançado no Salão do Automóvel daquele ano - contava com um chassi tubular próprio, uma nova suspensão (McPherson na dianteira, e eixo rígido na traseira) e motor na seção dianteira. Além disso, chamava a atenção o teto semi-conversível, inspirado no Porsche Targa.

Em agosto de 1983 saía a série Targa Ouro, em preto com logotipos dourados, dotada de tomada de ar no capô e revestimento em couro perfurado. No fim do mesmo ano chegava um conversível, o Spider, com a mesma mecânica e linhas básicas do Targa. A capota de lona, de recolhimento manual, alojava-se com discrição sob uma cobertura, praticamente desaparecendo da aparência do veículo.



Em 1984 foi lançado o Miura Saga. Maior do que o modelo anterior, o Saga era o primeiro cupê três-volumes de duas portas e quatro lugares. Além do amplo porta-malas, contava com a motorização 1.8 do recém lançado VW Santana.

No final de 1984, a evolução do Saga, representou o auge do requinte em acessórios. Era dotado de controle remoto para destravamento das portas (que eliminava as maçanetas externas), computador de bordo com sintetizador de voz (que literalmente "avisava" ao motorista quando colocar o cinto, soltar o freio de mão, travar as portas e/ou abastecer o carro), acendimento automático dos faróis, rádio/toca-fitas com equalizador gráfico de som, TV de 5 polegadas integrada ao painel, bar refrigerado no banco traseiro, teto solar, ar-condicionado, direção assistida hidráulica além do já tradicional volante regulável eletricamente em altura e bancos em couro ventilado.

Ou seja: o carro só faltava falar. Ou, nem isso.


Em 1986 foi lançado o 787, que era cerca de cinco centímetros mais curto que o Saga e contava com uma terceira porta, além de um enorme aerofólio na traseira e um friso de luzes em neon ao redor das extremidades, para auxiliar no estacionamento.

Em 1989, o modelo X8 preservou as luzes neon e passou a contar com um vidro traseiro envolvente, aerofólio integrado à carroceria. Mas, a grande novidade era a motorização 2.0 AP do VW Santana com opção de turbo.

Um ano depois, o mesmo X8 passaria a se chamar Top Sport, e contava com motor a injeção (o mesmo do Gol GTi), amortecedores com controle de carga de atuação acionado do painel, freios ABS, saias laterais, aerofólio traseiro mais alto e um neon menos chamativo, apenas na frente. Outra novidade era o retrovisor fotocrômico, que escurecia automaticamente quando detectada a incidência de muita luz (como um veículo com farol alto na traseira, por exemplo).


Mesmo com o lançamento do modelo X11 - também em 1990, e que priorizava o desempenho, abrindo mão de alguns itens de luxo - a Miura não resistiu à abertura do mercado para os importados em 1990, que fizeram os fora de série nacionais parecerem cada vez mais caros e menos atrativos frente aos modelos de montadoras independentes.

5 comentários:

  1. Jaime,

    o Miura foi o sonho de consumo de muita gente na década de 1980...

    abs...

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  2. Eles eram bonitos, mas relatos de proprietários dão conta de que tinham uma porrada de problemas.
    Desde a direção dura até a vedação.

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  3. de que carro posso adptar o radiador para o miura spyder??

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  4. Esse era o meu sonho de consumo quando criança e ainda quando jovem. Um miura saga!

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