10 de junho de 2013

O espetáculo do trânsito

(Idéias surgindo) O trânsito do Rio de Janeiro - como também o de São Paulo, de Recife, de Salvador e da puta que pariu - é caótico. Isso é um fato. E digo caótico porque me faltam adjetivos melhores, ou piores. Mas depois de muito escrever, penso que este campo de batalha diário pode sim, ser comparado a um espetáculo.

Explico

Começando pelos protagonistas.

É um grupo bem extenso, onde há os motoristas de ônibus e de táxi, que se odeiam mutuamente e sacaneiam a maioria dos outros motoristas com mudanças de faixa repentinas. Sem seta, sem retrovisor, sem braço pra fora, sem porra nenhuma. Como se todos os outros fossem adivinhos. A escolha de deixar o idiota concluir a merda é sua. Ou aceita tomar a fechada ou, bate.

Tem mais.

Há também os carros grandes, os pequenos, os 1.0, as mulheres ao volante (e não, aqui não há discriminação, mas o reconhecimento de que é sim, um grupo à parte) e os proprietários de carrões superpotentes. Estes últimos, costumam costurar todo mundo, com direito a farol alto, buzina, alerta, gritos e afins. Esses assassinos ultrapassam pela direita, pela esquerda, por onde der e por onde não der. Se você não der passagem, são capazes de passar por cima também. De novo, a escolha é sua. Ou deixa o idiota fazer o que quiser ou, bate.

E ainda tem as motos. E essas, são as donas das faixas. Mas, diferente dos carros, não escolhem uma não. Andam em cima delas. E ai de você se pensar em trocar de faixa, pegar uma saída ou entrar numa garagem. Mesmo avisando, dando seta, colocando o braço pra fora ou usando um sinalizador de avião (tente!), você estará SEMPRE errado. Além do barulhinho da buzina, o indivíduo vai xingar a sua mãe e, se não for com a sua cara, provavelmente vai chutar o seu retrovisor longe. Como você vai ficar parado no congestionamento e a moto não, você vai se foder, só.

Nesse grupo das motos há uma subdivisão, também. E pasmem, elas brigam entre si. Tem as pequenas, que em sua maioria são mais comportadas, e as grandes e superpotentes, que não respeitam as menores e andam geralmente com a placa levantada, com uma atitude parecida com a dos pseudo-pilotos de carrões superpotentes dos quais falei aí em cima.

É válido lembrar que todos estes protagonistas geralmente se odeiam em algum momento da trama. Alguns são pacatos, seguem as normas de trânsito, e só perdem o controle depois de tomarem uma fechada, depois de se indignar com tanta impunidade ou depois de ficar horas queimando combustível sem sair do lugar. Outros já nascem assim. É da natureza do brasileiro tentar levar qualquer vantagem sobre seus semelhantes. E, se isso significar se comportar como um animal - ou um assassino - no trânsito, ou se aproveitar do giroscópio/sirene em seu carro de serviço para sair cortando todo mundo, que assim seja.

O sistema favorece esses tipos. A impunidade e a corrupção estão aí para comprovar isso.

Mas isso é uma outra discussão.

Apresentados os protagonistas, vamos agora ao palco.

Geralmente são vias esburacadas, onde você desvia de um buraco para cair em um maior. E isso pode "só" foder com sua roda, como pode foder com seu pneu, seus amortecedores, sua paciência e - em casos mais extremos - até com sua vida.

Aqui no Rio, nesses tempos de Copa do Mundo, Copa das Confederações, Olimpíadas, Jornada sei lá do que e mais a puta que o pariu, a cidade anda um verdadeiro canteiro de obras. O prefeito acha que com um buraco aqui e um tapume ali - tudo sem qualquer sinalização, diga-se - a vida segue normalmente. Ou melhor, não segue. Porque o nó no trânsito é implacável, todos os dias.

E os congestionamentos não se resumem ao horário do rush não. Antigamente é que tinha disso. Você saía antes ou depois do rush e pegava um trânsito bom pacas. Hoje não. Hoje toda hora é uma merda. Nas ruas principais ou não, com ou sem obras... É tudo uma merda! No horário do rush, a única diferença é a maior chance de cruzar com esses protagonistas todos que eu falei aí em cima. E sinceramente, dá vontade de se matar, levando com você uma meia dúzia deles! E não minta que nunca teve um pensamento desses dirigindo por aqui. Não minta, mesmo.

Bom, mas já falamos dos protagonistas, do palco...

Afinal, alguém sabe quem são os coadjuvantes? Aqueles que pouco aparecem e, neste caso específico, fazem questão de não aparecer mesmo?

Talvez amanhã eu fale deles. 

2 comentários:

  1. O trânsito simplesmente retrata o que é um brasileiro: sem educação, não pensa no próximo e (infelizmente) corrupto.

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