23 de julho de 2013

E a novela continua

(Não acredito em uma virgula) Estava hoje acompanhando pelo twitter uma conversa entre o André Buriti - um dos mais ativos militantes na época da destruição de Jacarepaguá. Contra a covardia que foi feita, diga-se - e o Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser.

Antes de começar, uma pergunta: o que se caracteriza como um "esporte de alto rendimento"?

Até o final deste post, duvido que eu consiga uma resposta para isso. E digo o porque: provavelmente este é apenas mais um ministério para tirar dinheiro do meu e do seu bolso. Um ministério para sustentar mais um punhado de vagabundos no governo, e no qual certamente um deles é este Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento.

Mas, esse não é o tema agora.

O tema é o novo autódromo do Rio.

Autódromo esse que o tal secretário que citei aí em cima afirma estar lutando e defendendo com unhas e dentes. Porque, segundo o próprio, "os pilotos estão pedindo um autódromo novo, em condições". As aspas significam que estas são exatamente as palavras dele. A prova está aí embaixo, retirada do meu twitter.








Bom, posso dizer que os pilotos - grupo no qual eu modestamente me incluo - nunca (repito: NUNCA!) pediram um novo autódromo.

Desde 2006 que ouvimos uma enxurrada de mentiras envolvendo o terreno onde praticávamos o nosso esporte sem prejudicar ninguém. Desde 2006 que ouvimos que os Jogos Pan-Americanos - e posteriormente as Olimpíadas - trariam equipamentos que seriam uma espécie de "legado esportivo para a cidade". Desde 2006 que a única coisa que queríamos era Jacarepaguá preservado, para termos um local para praticar o nosso esporte.

Nada mais.

Como "legado" dos Jogos Pan-Americanos ganhamos um velódromo sub utilizado, uma casa de shows que foi vendida a um grupo privado (e que até hoje não concluiu as obras estruturais necessárias, diga-se) e um parque aquático que nunca (de novo: NUNCA) mais voltou a ser utilizado após os Jogos 2007. Ficou lá, abandonado, sendo mantido aos custos do meu dinheiro até hoje.

Enquanto isso o Autódromo de Jacarepaguá agonizava. E se por um lado continuava na ativa, mutilado, era utilizado e mantido pela prefeitura de forma totalmente precária. De propósito mesmo. Tudo para criar "o cenário ideal".

Explico.

Um terreno público, com enorme valor de especulação imobiliária, com melhorias no seu entorno que o credenciaram  ao status de moeda de troca entre o governo e suas empreiteiras amiguinhas.

Mas, para tomar de assalto o terreno, como fizeram - de novo, com o papo furado do "legado esportivo para a cidade" e coisa e tal - precisavam colocar algum "doce" na boca dos pilotos, preparadores e todos os que dependiam do Autódromo. Fossem estas pessoas esportistas (que tinham ali uma praça para pratica do automobilismo), ou trabalhadores, que dependiam do local para garantir o sustento de suas famílias.

E esse "doce" foi o prometido novo autódromo do Rio, em Deodoro.

Uma promessa, numa área do Exército infestada de bombas e minas, sem qualquer estudo de viabilidade técnica (inclusive com impedimentos no que diz respeito à questão ambiental). Ou seja, até hoje não há qualquer garantia de que a coisa vai mesmo acontecer. Até hoje é uma mentira, apenas. Um "cala boca".

"- Ah, mas quem iniciou a destruição de Jacarepaguá não fomos nós!" - eu li, hoje, em dado momento da discussão.

Foda-se que quem começou a destruição do autódromo foi César Maia, do DEM, ainda em 2006! Foda-se que quem terminou o serviço foi o prefeito Eduardo Paes, do PMDB! Foda-se que por trás há também a participação do Governo Estadual, com a mão suja do governador Sérgio Cabral (do PMDB)!

Foda-se! 

Pra mim são todos políticos. E todos exatamente do mesmo tipo. Inclusive o tal do Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, que agora quer dar uma de gostosão, de bom moço, depois do leite todo já ter sido derramado. Resumindo, quer nos fazer de idiotas.

A prova está aí embaixo.

A foto mostra a área do autódromo de Jacarepaguá totalmente destruída, assim como o Clube de Voo Esportivo de Jacarepaguá. E não pensem que as licitações foram feitas... Não foram! Não há sequer data para o início das obras do "legado esportivo" das Olimpíadas.

Ou seja...


3 comentários:

  1. A discussão com o Leyser na verdade foi como conversar com uma parede, as repostas foram apenas um discurso vazio e um convite pra "ver o projeto".

    O que mis me irrita nesses caras é a falta de sensibilidade e como apenas a verdades deles é a certa, como se eles tivessem todas as certezas do mundo e nós fôssemos um bando de imbecis ignorantes.

    Aliás isso é uma tática de alienação, tratar seus interlocutores como retardados, técnica de argumentação, esse pessoal faz muito coaching e esquce que aqui fora é o mundo real.

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  2. O que mais me irrita nesse papinho de utilizar o espaço do autódromo para instalações das Olimpíadas é que poderia manter a pista como corredores entre os tais prédios, temporários ou não. Existem pistas de Fórmula 1 com muros de todos os lados e sem nenhuma área de escape. Até hoje não sei porque se cortou o início da reta por causa do Maria Lenk; olhando fotos do alto vê-se perfeitamente que a pista não foi interrompida.

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    1. Caro Anônimo.

      Exatamente! O setor Sul continuou lá mesmo depois da construção do Maria Lenk e da Arena. O grande problema que inviabilizava a utilização de toda a reta era a rampa de acesso ao HSBC Arena, que nunca foi concluída, e funcionava (aliás, funciona até hoje) em uma estrutura provisória, de andaimes, por sobre a pista...

      Uma piada!

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