13 de setembro de 2013

Lotus 88

Registro de Elio de Angelis a bordo do belíssimo Lotus 88 em Jacarepaguá, durante os treinos para a etapa brasileira de 1981.

Mesmo banido, pra mim foi um dos mais belos carros da Fórmula 1 do início dos anos 80'. Porém, nunca chegou a participar de um fim de semana completo, sendo lembrado apenas como mais uma "vítima" da guerra declarada entre a FISA e a FOCA (que existiu entre 1980 e 1982), além de um dos últimos projetos liderados pelo gênio Colin Chapman.

Mas, como ele funcionava? 

Porque não correu?

Com a proibição de apêndices aerodinâmicos móveis nos carros, Colin Chapman introduziu um conceito que utilizava dois (!) chassis distintos. Enquanto o primeiro - de aço e fibra de carbono - abrigava a carroceria, os sistemas de refrigeração e toda a parte mecânica suspenso por molas mais endurecidas, o segundo chassi abrigava o piloto, tanques de combustível e o restante dos componentes que deveriam ser isolados do "contato" com o solo.

E aí estava o segredo.

De forma totalmente independente do primeiro, esse segundo chassi trabalhava com molas muito mais macias, com o intuito de ser confortável e possibilitar a maior aderência mecânica possível.

Pois bem.

Quando o carro foi apresentado, todos temiam uma possível reedição da temporada de 1978, quando a Lotus 78 - com efeito solo - de Chapman dominou o campeonato, dando a Mario Andretti seu único título na carreira.

Com isso, mesmo com os tempos relativamente "normais" alcançados por De Angelis nos treinos, todas as equipes - lideradas principalmente por Bernie Ecclestone, da Brabham - apresentaram protestos que desclassificaram o carro nas etapas de Long Beach, Jacarepaguá e Buenos Aires (então as três primeiras do mundial), fazendo com que Elio de Angelis e Nigell Mansell alinhassem nestas etapas com o modelo 81B.

Na quarta corrida da temporada, em Ímola, a Lotus sequer largou, como forma de protesto. Mas foi em Brands Hatch (quando Chapman insistiu em utilizar o Lotus 88) que ambos os carros foram desclassificados e o projeto do Lotus 88 foi abandonado de vez.

Eram os primeiros indícios da otimização da aerodinâmica na Fórmula 1, e o início da maldita intervenção política na categoria, que passou a limitar cada vez mais as soluções de engenharia adotada nos carros.

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