23 de setembro de 2013

Sobre Vettel, Senna e Hunt

(E não encham) Neste fim de semana cingapúrico vimos Vettel largar na pole, cravar a melhor volta e liderar a corrida de ponta a ponta. Fez o que chamamos de grand chelem. Seu terceiro, aliás. Igualou Piquet nas estatísticas, e está atrás somente de Stewart Senna e Mansell, com 4, Ascari e Schumacher, com 5, e Jim Clark, com 8.

Mas este texto não é propriamente sobre recordes.

Li por aí que o alemãozinho cintilante foi vaiado no pódio. Não vi. Mas, sinceramente, queria muito entender o argumento das pessoas que vaiam um sujeito que caminha para o quarto título consecutivo. Que largou na pole, liderou todas as voltas e venceu com mais de 30s de vantagem para o segundo colocado. E mais, tudo isso por méritos próprios.

"Ah Jaime, mas o Vettel tem o melhor carro. Assim fica fácil" - dirão uns bundões.

A nível de comparação, Senna também venceu os mundiais de 1988, 1990 e 1991 com o melhor carro. E, se não concorda, lembrem que, à exceção de Monza, a MP4/4 venceu TODAS as corridas de 1988. E aí eu pergunto: era só o carro? Se sim, na teoria, colocando a dupla da EuroBrun daquele ano, formada por Oscar Larrauri e Stefano Modena, os dois deveriam conseguir o mesmo domínio imposto por Senna e Prost. Certo?

Alguém tem dúvidas de que não aconteceria?

Simplesmente porque até os melhores carros - ainda - precisam de bons pilotos para guiá-los. Ótimos, eu diria. Os melhores? Não chego a tanto.

"Ah Jaime, então você está falando que o Vettel não é o melhor piloto do grid" - indagarão vocês, doidos para colocar gasolina na fogueira.

Uma coisa. As equipes sempre priorizaram o campeonato de construtores. Afinal, é ele, e não o de pilotos, que se traduz em grana, money, bufunfa. E a equação usada é bastante simples: as equipes constroem o melhor carro possível, e no fundo estão pouco se fodendo se têm ou não o melhor piloto do grid. Entregando um foguete nas mãos de alguém competente já basta.

Ajuda ter um piloto acima da média? Ajuda, claro. Basta ver o que Alonso e Räikkonën vêm fazendo com suas carroças, frente ao que seus companheiros de equipe conseguem fazer com o mesmo equipamento. Numa dessas, beliscam um título sem ter o melhor carro. É difícil, mas acontece. Foi assim com Surtees em 1964, Piquet em 1981, e com o próprio Räikkonën, em 2007. Esses, os que eu lembro de cabeça.

Mas em geral o melhor carro vence, mesmo.

Para citar os casos mais atuais, além dos supracitados Senna e Prost, lembro de Nigel Mansell, Michael Schumacher, Damon Hill, Jacques Villeneuve, Mika Häkkinen, Fernando Alonso e Jenson Button. Vettel é só mais um nome que se junta à lista de pilotos que venceram com o melhor carro. Porque, assim como todos estes aí de cima, está sendo malandro para tirar proveito disso.

Aproveitando a carona de "Rush", lembrei de uma coisa.

Emerson Fittipaldi tinha tudo para faturar o campeonato de 1976. Bastava não ter trocado a McLaren - então um dos melhores carros do grid - pela Copersucar. Trocou. Hunt acabou caindo de pára-quedas na M23 e venceu o mundial depois de duelar contra um dos melhores pilotos do grid, Lauda.

De novo, venceu o melhor carro.

E não, não estou dizendo que Hunt era menos piloto do que Lauda. E nem que a M23 era assim, TÃO superior à 312T de Lauda. A nível de comparação, já que vocês gostam tanto, Jochen Mass, com a outra McLaren, conseguiu apenas dois pódios na temporada, e terminou o ano em 9º lugar, com 19 pontos. Com o mesmo carro, Hunt conseguiu 8 pódios (destes, 6 foram vitórias) e fechou o campeonato com 69 pontos, campeão.

E aí eu pergunto: foi SÓ o carro?

3 comentários:

  1. Sem dúvida o conjunto melhor carro e um piloto competente sempre vencerá, mas a comparação de desempenho entre pilotos da mesma equipe não me parece justa pois na maioria das vezes os carros não são iguais seja por força do contrato, questões financeiras, preferências e outros.

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