21 de novembro de 2013

Fordlândia



Em 1928, com o aumento da popularidade do automóvel, Henry Ford buscava alternativas para baratear o custo de produção dos pneus, e não mais depender do látex monopolizado pela Malásia, então uma colônia britânica.

Optou por criar uma cidade às margens do Rio Tapajós, no Pará.

Uma cidade mesmo!

Tudo veio de navio, direto de Detroit.

Ford adquiriu as terras, plantou seringueiras e contratou mão de obra local.

Gente do país todo!

Nascia então a Fordlândia, em plena floresta amazônica.



Acontece que o solo escolhido era extremamente infértil, e além disso as seringueiras foram plantadas muito perto uma das outras, o que contribuiu para a infestação das mais diversas pragas, que dizimaram as plantações por completo.

Para piorar, a maneira como as casas foram construídas também favoreciam a proliferação de doenças entre a  população local.

Em 1930, os trabalhadores - não acostumados à comida enlatada, hambúrgueres, crachás e todas as formalidades exigidas pelos norte-americanos - chegaram a se rebelar, obrigando o exército brasileiro a intervir para restabelecer a ordem.

Ford ainda tentou realocar as plantações em Belterra, mais ao norte, onde as condições para a seringueira eram melhores. Montou outra cidade completa por lá. Mas, a partir de 1945, as tecnologias que permitiam fabricar pneus a partir do petróleo tornou o empreendimento um desastre.

O sonho americano se transformava então em um pesadelo de prejuízos.

Com o falecimento de Henry Ford, seu neto Henry Ford II assumiu o comando da empresa nos Estados Unidos e decidiu encerrar o projeto de plantação de seringueiras no Brasil

O Governo Federal brasileiro arcou com as obrigações trabalhistas dos remanescentes, além de arrematar todo o espólio americano, que incluía seis escolas, dois hospitais, estações de captação, tratamento e distribuição de água nas duas cidades, usinas de força, mais de 70 quilômetros de estradas, dois portos fluviais, estação de rádio e telefonia, duas mil casas para trabalhadores, trinta galpões, centros de análise de doenças e autópsias, duas unidades de beneficiamento de látex, vilas de casas para a administração, departamento de pesquisa e análise de solo, plantação de 1.900.000 seringueiras em Fordlândia e 3.200.000 em Belterra.

O custo aproximado foi de 250 mil dólares.

E está tudo lá, abandonado, desde 1945.




3 comentários:

  1. Caramba! que história.. e o que mais impressiona é como o brasileiro tem a capacidade de tornar tudo pior e mais improdutivo... é um dom!

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  2. Já conhecia a história, fantástica.

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  3. lamentável é o destino que se deu ao empreendimento...

    abs...

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