31 de março de 2014

Fala muito

(...) Ficou meio inacabado o texto, mas eu ando meio sem tempo pra desenvolver o raciocínio completo que o assunto deveria incitar, e não quero deixar passar em branco. Sim, vocês sabem do que eu estou falando. Claro que é sobre o que aconteceu entre Massa e Bottas no último fim de semana, na Malásia.

Pra início de conversa, aí embaixo tem um vídeo com o compilado dos rádios de ambos. Tudo legendado, em inglês, mas é molezinha de entender.



"Valtteri is fasther than you"...

Assim mesmo, na lata! Isso aí já é muita sacanagem com alguém que já passou pelo que Massa passou... E digo mais: apenas na segunda corrida da temporada, valendo um miserável sétimo lugar.

Mas, voltando ao papo de desenvolver o raciocínio, com o qual eu comecei o texto...

Vamos lá.

A Fórmula 1 se desenvolveu, e avançou tecnologicamente. Óbvio. Esse sempre foi o seu propósito: desenvolver tecnologias para os modelos de rua. E desenvolveu tanto, que me arrisco a dizer que o fato de ainda existirem pilotos dentro dos carros é, de certa forma, algo ultrapassado.

Ou vocês acham que a tecnologia dos dias de hoje não permite enfiar o cara n'um simulador para comandar o carro na pista?

Seria sem graça?

Não sei não.

Acredito que não seria algo tão diferente do que vemos hoje em dia. Pilotos robóticos, burocráticos, que "sentem" o carro através dos dados da telemetria, soprados em seu ouvido a todo momento, e que ao mesmo tempo em que "pilotam" (sim, ente aspas mesmo!) controlam uma infinidade de botões no volante, que mais parece um controle de videogame...

Vocês têm certeza de que essa Fórmula 1 de hoje em dia é a mesma que via carros balançando nas voltas finais para sugar a última gotinha de combustível do tanque? Aquela em que por vezes viu pilotos empurrando os carros para chegar ao final? Em que um aventureiro não precisava de um aval de Deus Todo Poderoso para alinhar um carro no grid? Aquela em que pilotos podiam usar os pneus que quisessem, e esgoelar o motor o quanto pudessem tudo em nome da performance, da vitória, de ser o mais rápido?

Onde quero chegar?

Antes, o piloto acelerava quando devia e poupava quando podia. Hoje, parece que as coisas se inverteram. O cara deve poupar sempre e acelerar quando pode. Quando a equipe "deixa". É aí que entram os engenheiros de pista, aqueles chatos que aparecem a todo instante durante a transmissão, para dizer pelo rádio exatamente o que o piloto deve fazer: "acelera, freia, transfere tantos % do balanço pra frente, melhora a saída da curva tal, freia de novo, respira, abre a asa, fecha a asa, ultrapassa, maneira no desgaste do pneu tal, olha fulano chegando, acelera, respira de novo, bebe água..."

Pombas! Se o cara é PILOTO, ele sabe o que fazer. Ou, no mínimo, deveria saber (né não, Maldonado?). Sou da opinião que comunicação via rádio não deveria existir, e tudo deveria ser informado para o piloto via plaquinha de box, na mureta.

Inclusive ordens de equipe...




Fulano está mais rápido do que ciclano? Pois que passe, na pista. Se a equipe não gostar (ou estiver de acordo, vai saber) com a atitude, certamente vai mostrar uma plaquinha como essa aí em cima - que a Williams usou no Rio, em 1981.

Sou a favor disso? Contra?

Sinceramente, isso depende muito da situação, e do ponto de vista. Esportivamente, claro que sou contra! No incidente do último fim de semana então, achei uma sacanagem sem tamanho. Agora, em tempos onde a Fórmula 1 é vista - e se comporta como - um simples "negócio", é algo totalmente justificável, e que faz  até sentido. Sorry, guys.


A coisa está n'um nível crítico, mesmo.

Vocês certamente leram por aí que Vettel pode ser punido pela FIA por declarar que acha o som dos motores V6 turbo "uma merda", não?! Porra... Mas o som é uma merda mesmo, não é? E o cara não pode falar, que toma um puxão de orelhas. 

Ou seja, o cara não pode acelerar um pouquinho mais, que toma um puxão de orelhas pelo rádio. Não pode sair do pit com plaquinha abaixada, que toma punição. Se encostar na linha branca, ganha um Stop & Go de brinde. Se chegar perto do outro carro n'uma disputa, punição de novo...

É muito mimimi.

E é por essas e outras que eu vou aceitando cada dia mais o fato de que a Fórmula 1 está agonizando, e não deve demorar muito para morrer de vez...

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