1 de maio de 2014

20 anos sem Senna, por Jaime Boueri

Hoje seria o texto de um quarto convidado aqui no blog.

Mas, infelizmente, não deu tempo de ficar pronto.

A gente entende.

As datas costumam trair a gente mesmo...

Não tenho um plano B.

Ou melhor, não tinha.

Pra não deixar o 1º de Maio passar em branco, fecho o especial com um texto... Meu.



Meus devaneios

Por Jaime Boueri

Era um fim de semana negro, aquele de Ímola. Aliás, pesquisei rápido aqui, e nunca antes na história da categoria dois pilotos haviam falecido na mesma etapa. Nem mesmo nos mortais anos 50/60. De quebra, a última morte em pista havia sido de Ricardo Paletti, em 1982. Elio de Angelis morreu depois, é verdade, mas em uma sessão de treinos particulares em Paul Ricard, na França, em 1986.

Era, portanto, um hiato de 8 anos sem mortes nas pistas de Fórmula 1.

E de repente ver morrer, ao vivo, o maior piloto daqueles tempos, tri campeão, numa batida que nem pareceu tão séria assim. E ainda mais esse fato precedido pela morte, também ao vivo, de um garoto em sua terceira etapa na categoria...

Foi um momento inesquecível para quem já era nascido.

Marcante mesmo.

Não sou hipócrita de dizer que eu, no auge dos meus 8 anos, era um aficionado por Fórmula 1. Não era. Lembro de ter uma miniatura de ferro da Lotus 72 do Emerson que era meu brinquedo favorito. Arrastava aquela porra onde quer que eu fosse. No chão, nas paredes do prédio... Enfim, em qualquer lugar, lá estava o carro preto do Emerson, correndo até de cabeça pra baixo.

Ah, eu lembro que simpatizava (não sabia torcer ainda) com a dupla Alesi/Berger, da Ferrari... É o que me lembro. E só porque gostava da pronúncia do nome Alesi. "Alêzi".

Soa engraçado até hoje...

Enfim, voltando.

Talvez por tudo o que aconteceu, sei descrever aquele 1º de Maio em detalhes. Morava no Grajaú, no quinto andar de um prédio na rua Barão do Bom Retiro. Estava na sala, assistindo à corrida com meu pai. Lembro da porrada na largada, do carro de segurança, da relargada, da porrada do Senna... Da minha mãe chorando a morte, e depois, bem depois, das cenas impressionantes do cortejo por São Paulo.

Enfim, lembro de tudo.

Aliás acho que tenho essa VHS até hoje! Estávamos gravando tudo.

Desconfio que os mais jovens sequer sabem o que isso significa. Não falo nem da VHS, e sim do momento como um todo. Não existia internet na época. Não dava pra ver todo o desenrolar dos fatos como vemos acontecer hoje com Schumacher, por exemplo.

Exemplificando, seria como se Vettel se esborrachasse n'um muro durante a corrida do Bahrein, morresse, e você não tivesse como acessar a internet para ver nada além do que viu ao vivo pela TV.

É, acho que é mais ou menos isso...

E talvez seja esse o grande diferencial de Senna em relação aos outros pilotos que morreram na pista. O instantâneo da morte. O "ao vivo" da TV que não existiu nos casos de Fagioli, Rindt, Cévert, Peterson e tantos outros.

Villeneuve acho que é o único caso à parte.

Não só pelo advento da cobertura televisiva já existente em 1982. Talvez o canadense tenha sido igualmente espetacular (estou falando de arrojo, ok?), mas muitos dos que o viram correr afirmam que era uma questão de tempo até morrer. E não tinha aquela aura de "imortal" que Senna tinha.

Mal comparando, era uma espécie de Kubica dos dias de hoje.

Falo em relação ao número de acidentes, ok?

E sim, Senna parecia imortal...

Bem... não era, exatamente.

Ou era, sei lá.

2 comentários:

  1. Kubica entre Gilles Villeneuve e Ayrton Senna? Ah tá. P/servir cafezinho.

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  2. Cara, é realmente impressionante o fato de que todo mundo lembra com riqueza de detalhes daquele dia. E agora eu nunca mais vou conseguir ler ou ouvir ou falar o nome do Alesi sem dar uma risadinha... Excelente. Fechou muito bem a semana!

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