13 de maio de 2014

A vitória impossível



Estava procurando uma história bacana para contar aqui no blog, e resolvi pedir ajuda a um amigo, o Felipe Vaamonde, grande estudioso dos feitos de Tazio Nuvolari.

O cara sabe tudo mesmo, de cabeça!

E ele me mandou uma mensagem dizendo apenas "procura sobre Nürburgring, 1935".

E eu procurei...



Pois bem.

Quem se lembra de grandes corridas que ficaram marcadas na história do automobilismo?

Alguns se lembrarão da memorável atuação de Fangio em 1957, duelando contra Peter Collins e Mike Hawthorn, da Ferrari. Ou então, de Jacky Ickx dez anos depois, também em Nürburgring, alinhando um carro de F2 na frente da turma toda que estava de F1. Outros citarão a corrida de 1968, quando Stewart colocou quatro minutos em cima de Graham Hill, debaixo de chuva...

Isso só para citar corridas em Nürburgring.

Por lá, a teoria de que grandes pistas proporcionam grandes corridas é mais do que comprovada.

Mas, esqueçam os grandes prêmios de Fórmula 1...

Falemos da corrida de 1935, vália pelo Campeonato Europeu de Automobilismo.

O embrião do que é a nossa Fórmula 1 hoje.



No período de ascensão de Adolf Hitler, a Alemanha contava com os carros vencedores de Mercedes e Auto Union, e alguns dos melhores pilotos da época, como Bernd Rosemeyer, Hans Stuck e Rudolf Caracciola...

Porém, entre eles havia outro piloto, não alemão, igualmente genial...

Tazio Nuvolari.

300 mil pessoas estavam presentes em Nürburgring.

Nuvolari alinhou sua Alfa Romeo P3 em segundo lugar, atrás de outro italiano, Balestrero, também de Alfa.

Mas, com 9 carros do "esquadrão alemão" (destes, 5 Mercedes W25 e 4 Auto Unions Type B) a já defasada Alfa P3 não era capaz de bater os alemães e vencer a corrida...

Na largada, o início não foi dos melhores. Balestrero, o pole, acabou abandonando antes mesmo de completar a primeira volta, e Nuvolari despencou para a quinta posição.

O italiano se recuperou com uma pilotagem soberba, e, quando estava em segundo, fez sua parada nos boxes para trocar pneus e reabastecer...

Foi um desastre!

Com um problema na bomba de combustível, os mecânicos tiveram de abastecer o carro com pequenas latas e funis, manualmente, o que fez com que Nuvolari perdesse quase seis minutos parado. Ou seja, tudo o que havia remado na pista...

Voltou em 6º, e a partir daí passou a imprimir o mesmo ritmo alucinante pelo qual ficou conhecido.

No início da última volta, tinha 35 segundos de desvantagem para a Mercedes do alemão Manfred Von Brauchtisch, que liderava, mas não havia parado nos boxes, e por isso se arrastava pela pista com os pneus em frangalhos...

Ainda assim, a vitória de Nuvolari parecia algo improvável...

Impossível!

As autoridades alemãs já se preparavam para a coroação de seu piloto, os espectadores já comemoravam, a bandeira do Reich se levantava tremulante e o hino nacional alemão estava pronto na vitrola.

Eis que em meio à neblina surge o som de um motor falando cada vez mais alto.



E, para a surpresa de todos... Era um carro vermelho!

Quando percebem que se tratava da Alfa Romeo de Nuvolari, os 300 mil presentes se calaram.

Nuvolari havia ultrapassado Brauchtisch a poucos metros da bandeirada final, Hans Stuck foi o segundo (2 minutos atrás de Nuvolari) e Rudolf Caracciola cruzou em terceiro, seguido de Bernd Rosemeyer e Manfred von Brauchitsch.

Para engrandecer ainda mais o feito do italiano, o primeiro carro não Mercedes ou Auto Union só foi aparecer em 10º!

Mas a história não acaba aí...

A confiança de uma vitória alemã era tanta, que sequer tinham separado o hino italiano. E Nuvolari, que carregava sempre consigo um disco com a "Marcia reale", tratou de providenciar a música que o coroaria naquela que é tida como a maior vitória da sua carreira.



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