25 de maio de 2014

Monaquinhas (4)

(Mônaco é Mônaco, eu disse) E deu Rosberg em Mônaco, pela segunda vez consecutiva. Quinta vitória na carreira - mesmo número do pai, Keke - e segunda em 2014. Resultado que o fez reassumir a liderança no mundial, e, de quebra, interrompeu a sequência de quatro enrabadas consecutivas de Hamilton, que terminou em segundo hoje.

Essa foi, talvez, a maior vitória de Rosberg hoje: derrotar o companheiro. Não só na pista, claro, mas psicologicamente. Explico. Hamilton é "cabeça fraca", como dizem. Depois da classificação, ontem, declarou que por parte dele, é guerra até o final do ano. Rosberg por sua vez tem a cabeça no lugar. Resistiu a Schumacher como companheiro de equipe, e parece saber lidar melhor com esse tipo de pressão... 

Mas, falemos da corrida.

Largada sem maiores problemas, Rosberg sustentou a ponta, seguido de Hamilton, Vettel e Räikkönen, que jantou Alonso e Ricciardo Ricardo antes da primeira curva (um pulo de sexto pra quarto, em Mônaco, na largada, não é pouca coisa). Lá atrás, nenhum toque... Dá pra acreditar?

Mas, ainda na primeira volta, o Safety Car foi acionado por conta de um toque entre Pérez e Button na Mirabeau. Não deu pra ver direito, mas, como envolveu Button, a culpa deve ter sido dele mesmo. E aliás, foi a única vez hoje que se ouviu o nome do vaga lume.

A relargada aconteceu na volta 4, com Vettel - então o terceiro - se arrastando pela pista. Conseguiu levar o carro aos boxes, trocou pneus, resetou o carro (CTRL + ALT + DEL, sacam?) e voltou. Mas não adiantou lhufas (nesses casos tem de tirar da tomada e ligar de novo. É foda!), e ele abandonou na volta seguinte, puto da vida.

Antes da primeira parada, foi impressionante notar o volume de mensagens trocadas entre Hamilton e Rosberg e seus respectivos engenheiros. Do tipo: "bebe água, acelera, freia, troca de marcha mais cedo na curva x, fulano está mais lento que você na curva y, troca mapeamento de motor pra posição tal, faz isso, agora aquilo, bebe água de novo, tá um calor da porra, será que chove hoje?...".

Lá atrás, Sutil ia se livrando da turma mais lenta como podia. Passou dois carros na Lowe's, acho, antes de se esborrachar na saída do túnel, na volta 26.

Outro Safety Car, e a deixa para todos fazerem suas paradas de box. 

Todos menos Massa, que largou em 16º, de pneus macios (?) e resolveu ficar na pista (???), aparecendo na quinta posição. Ninguém entendeu a tática da Williams - nem Massa - mas, deve ter sido algo parecido com aquele ditado "o que é um peido ara quem já está cagado?".

Hamilton reclamou pelo rádio algo do tipo: "porra, me chamaram nos boxes junto com o cara?". 

Compreensível. Afinal, a única chance de Lewis passar Nico hoje era na base da estratégia. Nos boxes. Mas a porrada de Sutil (vejam só, que coincidência) jogou essa oportunidade no lixo. Era forçar um erro na pista ou comboiar Nico até o final. Paciência, gafanhoto. 

A relargada veio na volta 30, e Massa deve estar esperando até agora por um Safety Car salvador que não aconteceu. As maiores chances eram com a dupla da Lotus. Mas Maldonado sequer largou, e Grosjean anda tomando seus remédios direitinho... Enfim, Massa teve de parar sob bandeira verde, na volta 46, e despencou para 11º. 

Pra sua sorte, oito voltas depois, seu companheiro Bottas quebrou na Lowes. Aparentemente motor. Gutiérrez, Räikkönen - que jogou uma corrida com chances de pódio no lixo ao se enroscar com uma Marussia, no primeiro Safety Car - e o próprio Massa, que vinham logo atrás, subiram uma posição.

Na volta 61 Gutiérrez bateu com a roda traseira no guard rail interno da Rascasse, furou o pneu e ficou atravessado na pista. Fim de prova pra ele, e todos atrás subiram uma posição. Inclusive Jules Bianchi, da Marussia, que tinha reais chances de marcar os primeiros pontos dele - e da equipe - desde a estreia.

Uma Marussia pontuando... Quem diria!

(com os abandonos de Vettel, Bottas, Pérez e com Hamilton sem chances de passar Rosberg - o que fodeu com todas as minhas apostas - passei a torcer pelo pontinho marússico, confesso)

Na volta 70, Hamilton relatou problemas pelo rádio. "Meu olho", disse. "Qual dos três?", respondeu o engenheiro. "Vai tomar no cu!", berrou o inglês. O engenheiro só entendeu o final da frase, tamanha altura do berro, e o silêncio reinou até o fina da prova no rádio da equipe.

Hamilton tinha um cisco no olho esquerdo, e, sabendo do problema com o mercêdico, Rcciardo Ricardo (vulgo Dente de Mula)passou a acelerar como se não houvesse amanhã. Mas de nada adiantou. O soridente marsupial encostou mas não passou. Hamilton, mesmo caolho, ainda é Hamilton, e não havia Senna que o ultrapassasse hoje.

Alonso cruzou em quarto, e completaram os dez primeiros Hulkenberg (largando lá do fundão!) em quinto, seguido de Buton, Massa, Grosjean, Bianchi, e Magnussen junior.

Daqui a pouco eu volto para falar de Bianchi, da guerra na Mercedes e da Indy 500...

Nenhum comentário:

Postar um comentário