30 de julho de 2014

Le Pétoulet

Significa "cocô de rato", em francês.

Assim passou a ser chamado Maurice Trintignant após a I Coupe des Prisonniers, em Bois de Boulogne, em 1945.

O motivo?

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Bugatti com o qual corria - então o mesmo carro em que seu irmão faleceu - permaneceu escondido em um celeiro. 

Após o conflito, quando alinhou para a prova francesa, não conseguiu fazer o motor funcionar por conta do entupimento dos dutos de alimentação por dejetos de ratos, que haviam instalado um ninho dentro do tanque de combustível.

Pétoulet foi um sobrevivente.

Em 1948, ano do seu grave acidente em  Bremgarten, na Suiça, o francês foi declarado clinicamente morto. Levado ao hospital, permaneceu uma semana em coma com graves lesões no baço, além de ter perdido quatro dentes.

Para substituí-lo, a equipe Gordini escalou um argentino... 

Sim, ele mesmo: Juan Manuel Fangio, que fez assim sua estréia no automobilismo europeu.

Em 1949 Trintignant voltou às pistas ao volante de um Simca Gordini. Mesma equipe que defendeu em 1950, no recém criado Mundial de Fórmula 1.

No entanto, devido ao fraco desempenho dos carros franceses, os primeiros pontos só apareceram em 1952, com um quinto lugar no Grande Prêmio da França, disputado em Reims.

Dois anos depois, surgiu o convite da Ferrari.



A partir daí os resultados começaram a aparecer.

Na Fórmula 1, faturou o segundo lugar na Bélgica, o terceiro posto na Alemanha, o quarto lugar na Argentina e o quinto lugar na Inglaterra e na Itália, tendo ainda vencido as provas extra-campeonato de Rouen-les-Essarts e Caen.

O desempenho lhe valeu a quarta colocação final no Mundial de Pilotos, com 17 pontos.

No mesmo ano, venceu o Grand Prix de Senegal, as 12 Horas de Hyeres, no Circuit du Var, e as 24 Horas de Le Mans, a bordo de uma Ferrari 375 LM, em parceria com José Froilán González.

A primeira vitória veio em 1955, no Grande Prêmio de Mônaco.

Depois disso, teve passagens por Vanwall, Bugatti, e um breve retorno à Ferrari, para em 1958 assinar com Rob Walker, e disputar a temporada a bordo de um Cooper. 

Neste ano, venceu o Grande Prêmio de Mônaco pela segunda vez.

Participou também da "Corrida de Dois Mundos" em dupla com A.J. Foyt. Etapa disputada no anel externo de Monza, com pilotos de Fórmula 1 e da Fórmula Indy.


Sua última aparição na Fórmula 1 aconteceu no GP de Monza de 1964, e no ano seguinte disputou suas duas últimas provas no automobilismo, a bordo de um Ford GT 40 dividido com Guy Ligier: os 1000 km de Nurburgring e as 24 Horas de Le Mans.

Em 1982, aos 64 anos, ainda se aventurou no Rali Paris-Dakar com um Toyota BJ, mas não conseguiu completar a prova.

Fora das pistas, Trintignant chegou a ser prefeito da cidade francesa de Vergèze (onde residia desde jovem), além de ter produzido uma série especial de vinhos tintos batizada Le Pétoulet.

O Slogan?

“Le champion des vins".


2 comentários:

  1. São histórias como esta é que nos fazem amar cada vez mais este negócio todo de acelerar e fazer curvas.

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  2. La única Bugatti en correr un GP de F1; fue el GP de Francia de 1956 en manos del gran Maurice Trintignant.
    Abrazos!

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