10 de setembro de 2014

A Era Montezemolo (1991-2014)

Luca di Montezemolo anunciou hoje a sua saída da Ferrari. Foram 23 anos à frente da marca. O anúncio é relacionado à entrada do grupo FCA na bolsa de valores de Nova York, que acontece no próximo dia 13 de Outubro. FCA significa pura e simplesmente Fiat-Chrysler Automobiles, grupo que detém 90% da Ferrari efoi criado após a compra da americana Chrysler pela Fiat.

É o "fim de uma era", como o próprio Montezemolo disse. Desde 1991 tudo o que acontece na Ferrari - e aí, principalmente o que acontece na equipe de Fórmula 1 - é culpa dele: da draga de títulos à cacetada de vitórias nos anos 2000. Muita gente não pensa assim, é verdade. O mais comum é ver a turma seguir o raciocínio "Perdeu? Culpa do Montezemolo! Venceu? Mérito de Schumacher e companhia".

Não é bem assim, convenhamos...

Uma curiosidade: meu filho se chama Lucca! Ok, com dois Cs e por outro motivo, claro. Mas, para um apaixonado por corridas é completamente aceitável que eu faça essa relação Lucca-Luca até o último dia da minha vida. Sei lá porque. Talvez porque ache legal o fato de o nome do meu filho se parecer com o do presidente da Ferrari na época em que Schumacher ganhou tudo. Sei lá. E mais: o nascimento do Lucca, o meu, se deu em 2005; justamente quando Alonso quebrou a hegemonia de Shumacão, que perdurava desde 2000.

"Ah, Jaime. Hegemonia? O Vettel também conquistou 4 títulos em sequência. Isso não é hegemonia" - dirão uns chatos por aí, certeza.

Parentese aqui. Antes de Vettel, apenas Schumacher conseguiu a proeza de vencer 4 vezes sem tirar de dentro. E antes de Shumacher, apenas Fangio (entre 1954 e 1957). Lembrando que o alemão ainda teve o mérito de pegar uma Ferrari capenga, com o time completamente perdido, que não faturava o mundial de pilotos desde 1979, com Scheckter. Era, portanto, uma draga de 21 anos. Fecha parêntese.

De 2000 a 2004 a Fórmula 1 foi vermelha. O mundo dos carros esportivos também. Não tenho números, e posso estar redondamente enganado, mas entre 2000 e 2004 a Ferrari se popularizou, deve ter vendido carros a rodo mundo afora, e se consolidou (ainda mais) no mercado dos "supercarros caros pra caralho que eu jamais terei". Montezemolo é parte importante disso, e não apenas indiretamente.

Afinal, não é pra isso que existe a figura de um presidente? Gerar lucro? Fazer sucesso? Vender? E, no caso específico da Ferrari, o "vender" do mercado ainda era acompanhado do "vencer" nas pistas. Pois bem. Desde que assumiu o cargo, em 1991, a Ferrari faturou 6 títulos de pilotos (5 de Schumacher e 1 de Räikkönen) e 8 títulos de Construtores (1999-2004 e 2007-2008). É pouco?

Não, não é.

Um comentário:

  1. Sem contar que a empresa Ferrari (não o time de F1) só cresceu. Teve um lucro absurdo só nos EUA.
    Ele é um bom personagem, no fim das contas.

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