30 de novembro de 2014

'A' mulher

Voando...

Costumo dizer que para pilotar os monstros do Grupo B era necessário o cara ter bolas do tamanho de bolas de basquete, e nenhum amor à vida.

Hoje, os que conseguiram domar as máquinas com assombrosos 1.000 cv são considerados deuses. São os casos de Juha Kankkunen, Hannu Mikkola, Markku Alen, Walter Röhrl, Timo Salonen, Henri Toivonen, Ari Vatanen...

E Michèle Mouton.

A jovem francesa até se iniciou na carreira de Direito, mas teve o vírus da velocidade despertado ao participar da edição de 1972 do Tour de Corse, a pedido de um amigo.

No ano seguinte, Michèle seria co-piloto desse mesmo amigo no Rali de Monte Carlo.

Era a sua estréia no Mundial de Rali.

Com o incentivo do pai - que lhe presenteou com um Alpine A110 - a francesa assumiu o lugar atrás do volante, e ainda em 1973 conquistou o 8º lugar na classificação geral do Tour de Corse.



Em 1975, em parceria com as motoristas Christine Dacremont e Marianne Hoepfner, Michèle Mouton venceu as 24 Horas de Le Mans para carros protótipo até 2 litros.
"Naquela corrida, em Le Mans, eu me lembro que começou a chover, e eu comecei a passar todo mundo que estava com slicks, enquanto a equipe dizia 'Michele você deve parar', mas eu não queria, porque eu estava passando todo mundo...".
Com a vitória em Le Mans veio o patrocínio da gigante petrolífera ELF, que lhe acompanharia por toda a carreira.

Depois de uma curta passagem pela Fiat - onde disputou apenas os Ralis de Monte Carlo e da França em 1979 e 1980, Mouton foi contratada pela Audi para a disputa da temporada de 1981, onde pilotaria o novíssimo Audi Quattro, e teria como companheiro de equipe ninguém menos do que Hannu Mikkola.

Vieram então as primeiras vitórias em estágios, em Portugal e na Grécia...

... E a primeira vitória, no tradicional Rali de Sanremo, na Itália.

(até hoje é um feito único para mulheres)

1982 foi o seu auge.

Apesar do forte acidente na abertura da temporada, em Monte Carlo - quando colidiu com um muro a 110 km/h - Mouton venceu três Ralis: Portugal, Grécia e Brasil; além de um 2º lugar na Grã-Bretanha.



Com isso, a piloto terminou o ano com o vice-campeonato, 12 pontos atrás de Walter Röhrl.

Michelle permaneceu na Audi até o final de 1985, e ainda defendeu a Peugeot - a bordo do 205 Turbo 16 - no Mundial de Rali. Mas, com muitos problemas de confiabilidade dos Audi, Michèle nunca conseguiu repetir os bons resultados de 1982.

Seu último pódio foi um segundo lugar na Suécia, em 1984.

Depois disso, passou a fazer aparições no Rali Dakar e em ralis clássicos...

Em 1988 - em Mememória de Henri Toivonen, e para comemorar os 10 anos do Mundial de Rali - fundou, em parceria com Fredrik Johnsson, o Race Of Champions (ROC): evento que reúne estrelas de diversas categorias do esporte a motor, como Fórmula 1, Nascar, Endurance, MotoGP, etc...


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