O Primeiro Chaparral, na verdade, foi obra dos construtores californianos Dick Troutman e Tom Barnes, em 1961. Só no ano seguinte os ex-pilotos de Fórmula 1 Harp Sharp e Jim Hall decidiram fundar a Chaparral Cars Inc., adquirindo o modelo Chaparral 1 e os direitos de continuar usando o nome do carro. A partir daí, todos os carros produzidos por Sharp e Hall teriam o numeral "2" no nome... O Chaparral 1 foi largamente utilizado por Jim Hall entre 1961 e 1963, enquanto o Chaparral 2 era desenvolvido.
O primeiro modelo da "série 2", o 2A, tinha um motor Chevrolet V8 montado em posição central sobre um chassis monobloco em GRP [glassfibre reinforced plastic]. O carro estreou com a pole position para as 200 Milhas de Riverside, em Outubro de 1963. Mas, apesar do sucesso na classificação, a corrida de Jim Hall durou apenas 4 voltas, e o piloto abandonou a prova na 4ª volta devido a uma pane elétrica. Em 1965, porém, veio a primeira vitória, nas 12 Horas de Sebring (com direito a mais uma pole position) - n'uma das mais importantes corridas de Endurance do mundo.
Nesta época, Jim Hall se aproximou da Chevrolet, iniciando assim uma cooperação que durou uma década, incluindo suporte técnico e de desenvolvimento. Embora esta associação seja negada até os dias de hoje pela Chevrolet, a Chaparral funcionava como um time 'não-oficial' da montadora, e fazia testes no mais absoluto sigilo (ou quase isso) para o programa de corridas da Chevrolet na pista de Rattlesnake Raceway – então próxima da sede da Chaparral.
Em 1966 era lançado o Chaparral 2D, que foi a primeira variante da "série 2" a ter cabine fechada - para atender às determinações da FIA para o Endurance Series. Apesar dos inúmeros problemas de confiabilidade, o modelo teve relativo sucesso ao vencer aos 1000 km de Nurburgring (no lendário Nordscheleife), com Phil Hill e Jo Bonnier, além de participar das 24 Horas de Le Mans (se retirando após 111 voltas), das 24 Horas de Daytona e das 12 Horas de Sebring.
Nasce um ícone: o 2E
O 2E foi lançado também em 1966, e mostrou ao mundo as teorias aerodinâmicas de Jim Hall, que de certa forma revolucionaram a construção de carros de corrida a partir daí. As entradas de ar dos radiadores foram movidas da seção frontal para as laterais do cockpit, e o carro ostentava um enorme aerofólio, que gerava downforce nas curvas e podia ser regulado internamente (através de um pedal próximo colocado no lugar do pedal de embreagem, uma vez que o caro era automático). Com o ajuste, era possível reduzir o ângulo da asa, diminuindo o arrasto e aumentando a velocidade final nas retas. O nariz também tinha pequenas entradas de ar, que canalizavam o ar por baixo do carro e aumentavam a estabilidade.
O carro assinalou apenas duas vitórias: em Laguna Seca, com Phil Hill ao volante (prova válida pela Can-Am), e em Nassau, nas Bahamas. Muitos associam o 'fracasso' do modelo ao motor de 5.3 litros da Chevrolet com bloco de alumínio usado no 2E (com um câmbio automático de 2 marchas), enquanto os rivais utilizavam motores de 7.0 litros e bloco de ferro.
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| O Chaparral 2F nos 1000 km de Spa-Francorchamps de 1967. |
O 2F surgiu aproveitando as soluções aplicadas originalmente no 2E, mas utilizando-se de um antigo chassis 2D e um motor de alumínio de 7.0 litros [em substituição ao 5.3 do 2D]. Mesmo sendo extremamente veloz, a potência extra do motor era um esforço a mais para a transmissão automática de 3 velocidades, que quebrava com frequência. Após resolver este problema, o carro mostrou seu potencial ao cravar a pole position nos 1000 km de Monza, em Spa-Francorchamps e em Nürburgring. Além disso, venceu a BOAC 500 em Brands Hatch, com Phil Hill e Mike Spence ao volante.
Após a vitória em Brands Hatch, no entanto, a FIA modificou as regras da competição, banindo não só o 2F, como também o Ford GT40 Mk.IV (vencedor em Le Mans naquele ano) e as Ferrari 330 P3/4 e 365 P4 (então os carros vencedores em Daytona e segundo colocado em Le Mans, respectivamente).
Um fracasso chamado 2H
Este talvez seja o pior carro produzido pela Chaparral. Construído em 1969, o 2H substituiu o 2G (que correu apenas nos Estados Unidos, em 1968), e nele, Jim Hall tentou amenizar os danos ao chassis ocasionados pelos efeitos do downforce nos modelos anteriores. Porém, faltou velocidade... E o carro ficou conhecido pelo seu enorme aerofólio, e só. Quem o pilotou foi John Surtees, que curiosamente exigiu que o cockpit fosse mais "seguro".
Chaparral 2J, o "carro aspirador"
Um dos mais estranhos Chaparral foi, sem dúvida, o derradeiro modelo 2J. Além das rodas traseiras cobertas, a principal novidade eram as saias de um novo material: o Lexan, que se estendiam logo após as rodas dianteiras e rodeavam toda a seção traseira. Estas saias eram integradas a um sistema de suspensão, que mantinha-as a uma distância de uma polegada em relação ao solo, independente da Força G ou das imperfeições do piso, vedando assim a passagem do ar por baixo do carro. As ventoinhas na traseira [acionadas por um motor de snowmobile, com dois cilindros, dois tempos e parcos 45 cv] literalmente "sugavam" o ar na parte inferior do carro, criando uma espécie de "vácuo", com uma força descendente na ordem de 1,25 a 1,50 Gs.
Com isso, o carro (que pesava menos de 1 tonelada) tinha um downforce absurdo, e adquiriu uma tremenda capacidade de manobra a qualquer velocidade [lembrando que os outros dispositivos de downforce conhecidos à época tinham sua eficiência associada à velocidade do carro, diferentemente da idéia posta em prática no 2J]. Isso, associado à transmissão automática de 3 velocidades e ao motor big block Chevrolet [com cerca de 700 cv de potência] o tornavam muito superior aos seus rivais...
Mas essa superioridade não significou resultados positivos e vitórias, pois assim como outros Chaparral, o 2J sofreu com a falta de confiabilidade... E além do mais, não demorou para o modelo ser banido das pistas; em parte, por pressão da McLaren, que argumentava que os ventiladores atiravam sujeira e pequenas pedras nos competidores que vinham atrás. Outro argumento era o de que os “fans” eram considerados partes móveis, então proibidos pela FIA. Por último, a McLaren chegou a afirmar que se o 2J não fosse banido, a Can-Am seria destruída, porque somente a Chaparral iria ganhar.
Curiosidade: o mesmo sistema de sucção, utilizando-se de um ventilador, seria visto na Fórmula 1 oito anos depois - no Brabham BT46B com o qual Niki Lauda venceu o Grande Prêmio da Suécia de 1978. Coincidência ou não, o carro seria banido após esta corrida em uma decisão controversa, pois não foi desclassificado da prova - uma vez que na vistoria prévia foi considerado "legal" para largar.







Olá Jaime, eu sou fã do Jim Hall desde que ainda criança, com perto de 10 anos, me ofereceram uma miniatura do Chaparral 2E.
ResponderExcluirTalvez tenha sido esse o primeiro passo que me levou a acompanhar assiduamente a competição motorizada, especialmente a F1 e a Can Am, desde o início dos anos 70 do sec XX.
Se me permite, posto aqui um artigo que em 2009 escrevi no fórum do Auto Sport português:
Jim Hall, Génio Esquecido
Por CG a Quarta feira, 5 de agosto de 2009 16:01
James Ellis Hall (Abilene, Texas - 23/07/1935) foi piloto e construtor de carros de competição. É o responsável pela concepção de alguns dos maiores avanços tecnicos no automobilismo de competição, alguns dos quais são erradamente atribuídos a construtores e/ou engenheiros ligados à Formula 1.
Neste texto quero chamar a vossa atenção para duas das suas criações: o Chaparral 2E e o Chaparral 2J.
Em 1966 com o Chaparral 2E, Jim Hall coloca em competição um carro que está na origem de alguns conceitos que muitas vezes são atribuídos a outros construtores.
Como novidades este carro apresentava:
- radiadores montados em pontões laterais, e não no "nariz" do carro como até aí era feito,
- asa montada em altos apoios na traseira do carro, para aumentar a carga aerodinâmica no eixo trazeiro,
- entrada de ar frontal com difusores canalizados colocados junto do cockpit, para aumentar a carga aerodinâmica no eixo dianteiro,
- comandos manuais da asa traseira e entrada de ar frontal. O piloto actuava estes dispositivos, através de um pedal colocado no que seria o lugar do pedal da embraiagem (o carro tinha caixa automática), o que permitia aumentar a incidência da asa e abrir a entrada de ar frontal nas zonas mais sinuosas, e diminuir a incidência da asa e fechar a entrada de ar frontal nas zonas menos sinuosas.
Mais tarde o a SCCA (entidade federativa norte-americana) decidiu que como peça aerodinâmica que era, o aileron teria que ser fixo para respeitar as normas da FISA.
Este é um dos carros mais importantes da história da competição automóvel, e com ele Jim Hall deu início ao primado da aerodinâmica, e que se mantém até aos dias de hoje.
Em 1970 Jim Hall estreou um novo conceito ao colocar em pista o Chaparral 2J nas Can-Am Séries.
O Chaparral 2J tinha duas ventoinhas movidas por dois motores (2 tempos) de 45 HP, e estava provido de saias articuladas e independentes em lexan (a GE Lexan era um dos seus patrocinadores) nas suas quatro faces, que em contacto com o solo selavam a parte inferior da carroçaria, o que transformava o carro num gigantesco aspirador.
Este carro foi proibido pela SCCA que pressionada pelas restantes equipas decidiu que as ventoinhas eram peças aerodinâmicas móveis, e que tal como havia sucedido com o aileron móvel do 2E, eram ilegais perante as normas da FISA.
A equipa que mais pressão fez foi a McLaren, que argumentou que a ser permitida a participação do Chaparral 2J, este iria exercer um tal domínio que iria acabar por "matar" a Can-Am por falta de competição.
Ironicamente a McLaren dominava a Can-Am havia já vários anos sem que tal situação incomoda-se ninguém.
Talvez a melhor razão para a proibição das ventoinhas tenha sido mesmo a que os outros condutores apresentaram, e que era de que tudo o que estava na superfície da pista por onde o carro passava, era aspirado e atirado sobre quem vinha atrás.
Apesar de por vezes os seus conceitos serem proibidos pelas entidades federativas (muitas das vezes tal deveu-se à sua superioridade técnica e competitiva sobre os restantes concorrentes), os contributos de Jim Hall para a evolução técnica do automóvel, e principalmente da competição, não se esgotaram nestes dois carros.
Quando se fala na história da evolução técnica da competição automóvel, o legado deste brilhante engenheiro não deve ser esquecido.
Ler mais: http://autosport.pt/jim-hall-genio-esquecido=f75016#ixzz3YVXwjZS2
Eu gosto muito da história, mas este número 66 é horrível.
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