3 de junho de 2015

Aquele que poderia bater Senna...

(Oh!) Esses dias escrevi sobre as muitas coincidências que envolvem Stefan Bellof, Ayrton Senna e Jacky Ickx. Mas, poucos sabem da história desse alemão, que com 22 GPs (20 largadas) e apenas 4 pontos conquistados, perdeu a vida n'uma prova de carros esporte em Spa-Francorchamps antes que pudesse mostrar ao que veio na Fórmula 1...

Ou quase isso.

Em 1983, Stefan Bellof estreou no World Sportscar Championship, o Mundial de Carros Esporte. E neste mesmo ano, na classificação para os 1000 km de Nürburgring, conseguiu um feito impressionante: cravou a volta mais rápida da história do Nordschleife – 6m11s13, sendo o primeiro a obter a média horária acima dos 200 km/h. O recorde absoluto do circuito em ritmo de corrida também foi quebrado: 6m25s91. Duas voltas depois da marca, porém, Bellof se esborrachou na curva Pflanzgarten - uma curiosidade: este recorde permanece até hoje!

Ao final daquele ano, o alemão seria convidado por Ron Dennis (junto com os também estreantes Ayrton Senna e Martin Brundle) para um teste com a McLaren em Silverstone. Bellof surpreenderia ao ser apenas 0s1 mais lento do que a marca de Senna... Porém, tanto Brundle quanto ele utilizaram o carro de Lauda no teste, o #8, que era equipado com o DFV 3.0 V8, enquanto que Senna andou com o carro de Watson, o #7, que era de 2 a 3 décimos mais rápido graças ao Cosworth DFY, mais moderno.

Bellof testando pela McLaren no final de 1983.



Contratado por uma decadente Tyrrell para 1984, Bellof nada podia fazer com um modesto motor Cosworth V8 (aspirado), que tinha cerca de 150 cv a menos do que os poderosos Turbo das demais equipes. A sua única chance era n'uma pista travada ou em condições de chuva... Ou as duas coisas juntas, como aconteceu no GP de Mônaco de 1984.

Aquele mesmo!

Bellof largou na 20ª (e última) posição com seu Tyrrell 012. Ao final da primeira volta já estava em 11º, e quando a corrida foi interrompida, no 31º giro, o alemão tinha à sua frente apenas Alain Prost e Ayrton Senna. Além disso, Senna e Bellof foram os únicos pilotos a virar abaixo da casa de 1m55 naquele chuvoso GP monegasco – Ayrton cravou a melhor volta da prova (1m54s334) na 25ª passagem, e Bellof marcou 1m54s978 na 29ª, recebendo a bandeirada a 13s6 do brasileiro.

Ia chegar? Não, não ia. Existe um mito de que "Bellof estava descontando a vantagem de Senna quando a corrida foi interrompida". Não, não estava.



Porém, além de não aparecer em nenhuma imagem do pódio, o 3º lugar também não aparece nas estatísticas do piloto. Isso porque a Tyrrell teve seus resultados anteriores ao GP de Detroit daquele ano cassados (incluindo Mônaco), além de ter sido proibida de disputar o restante da temporada devido a irregularidades nos carros de Bellof e Brundle - com os carros cerca de 80 kg mais leves do que o permitido, a equipe colocava chumbo no tanque de combustível durante a corrida para atingir o peso mínimo ao final das provas. Com isso, o terceiro lugar no GP de Mônaco de 1984 é atribuído a Rene Arnoux, que pilotava para a Ferrari.

Mas se na Fórmula 1 os resultados não apareceram, no Mundial de Carros Esporte a coisa era diferente: Stefan Bellof sagrou-se campeão de 1984, batendo gente como Jochen Mass (seu companheiro de equipe), Jacky Ickx e Derek Bell. As vitórias em Monza, Nürburgring, Spa-Francorchamps, Mosport Park e Sandown Park também ajudaram na conquista da Porsche entre os construtores naquele ano.



Para 1985, Bellof renovou com a Tyrrell na Fórmula 1 e manteve o vínculo com a Porsche para o WSC. Depois de perder a abertura da temporada de F1 (em Jacarepaguá), o talento de Bellof novamente sobressaiu debaixo de chuva, em Estoril: no placo da primeira vitória de Senna, o alemão (largando em 21º) marcou o seu primeiro ponto na F1 com o sexto lugar.

Depois de abandonar em Ímola e não conseguir se classificar para o GP de Mônaco, Bellof marcaria seus últimos pontos na F1 em Detroit, ao terminar em 4º lugar (depois de novamente largar no final do grid, em 19º). Além disso, com o novo motor Renault que equipava a Tyrrel, ele chegou perto de pontuar na Alemanha e na Áustria.

Correndo pelo WSC, vieram os 1000 km de Spa-Francorchamps, em 1º de Setembro de 1985...

Depois de largar na 3ª posição, Bellof duelava contra o belga Jacky Ickx (ídolo local e lenda das corridas de endurance) pela liderança da prova na altura da volta 78. Os dois chegaram à Eau Rouge-Raidillon, com Ickx à frente. Bellof tentou a ultrapassagem (por fora!), mas o belga não cedeu...

O resultado?



O carro de Bellof logo se incendiou, e não havia nada que pudesse ser feito pelos comissários de pista. Aos 27 anos e com inúmeras lesões internas, o ídolo de infância de Michael Schumacher estava morto.

Um comentário:

  1. Por mais previsivel que seja o comentário, fica sempre a mesma pergunta: O que Bellof teria feito nas pistas duelando com os maiores?? n sabemos, mas seria no minimo, empolgante. sabe, Jaime, antes de conhecer o teu blog, por muitas vezes defendi a tese lá no grupo do palpiteiro, por exemplo, de que o Bellof, seria o, senão, o maior adversário de Senna. Eu sei que Senna sempre esta nas discussões, mas é impossivel n falar. Outra coisa que me deixou intrigado, como era tardia a entrada dos pilotos na F1, 27 anos, que tal.

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