9 de julho de 2015

Parabéns, pequeno!

Há exatos 39 anos era inaugurada a primeira fábrica da Fiat no Brasil, em Betim (Minas Gerais). Foi n'um 9 de Julho de 1976 que o primeiro chassis de Fiat 147 saiu de lá, todo pimpão - aliás, este carro repousa hoje na concessionária Milocar, aqui no Rio. Mas essa história eu conto depois...

576 dias depois, em 20 de Dezembro de 1977, o exemplar cujo sou o dono sairia de uma concessionária aqui no Rio também, rumo à casa em que esteve até o momento em que eu o adquiri, há quase 4 anos atrás. Naquela época, um veículo zero quilômetro era muito mais do que um simples meio de transporte. Era um sonho realizado. Um bem, mesmo. Muito menos descartável do que nos dias atuais - de carros feitos de plástico e com tempo de vida pré-programado. Afinal, as montadoras tem de lucrar de alguma forma e, imaginem que desastre fabricar hoje carros que durem, sei lá... 20, 30 anos? 

O meu dura!

[...]

Enfim. Hoje qualquer um compra um carro. Qualquer um mesmo! Chegue n'uma concessionária, deixe um rim lá, pague outro em suaves prestações intermináveis que você terá o seu. Mas faça seguro! Porque, se a jamanta enguiçar na rua, muito provavelmente nem adianta abrir o capô para limpar a marcha lenta ou dar aquela lixadinha marota no platinado, checar se a bobina superaqueceu, se a válvula termostática abriu e se a ventoinha armou no tempo certo... Seu carro nem tem isso tudo! É melhor chamar um reboque, mesmo. Mas quando a concessionária ligar, prepare-se para pagar outro rim. O terceiro.

Meu carro não tem uma infinidade de botões e mostradores no painel. Tem o básico que eu preciso saber e, bem, só. Às vezes até falta alguma coisa. Mas não tem problema, porque a gente anda com o rádio baixinho e literalmente "lendo" todos os barulhos que o carro faz: aquela rangida na curva, aquele barulhinho quando o carro acelera...

Mas tem algo que não se paga, e só quem tem um carro antigo experimenta: a felicidade de acenarem pra você n'um sinal de trânsito, tirando fotos (!). Ou, o sentimento de ver pedestres e ocupantes e outros carros olhando o seu carro e abrindo um largo sorriso - provavelmente lembrando de histórias que viveu em um modelo parecido. Ou, sei lá, lembrando do carro do pai, do avô, do seu primeiro carro...

Meu carro é feito disso: histórias!

E mais: eu converso com ele. Converso mesmo! E hoje eu disse apenas "parabéns, pequeno!".


Um comentário:

  1. O carro que deveria ser reverenciado por TODAS as marcas de automóveis no Brasil. Se hoje tudo é feito do jeito que é, agradeçam à FIAT e especialmente ao 147, que abriu as portas para tais inovações tecnológicas.

    Como bem disse a FIAT numa propaganda profética, "Um dia todos serão feitos como ele."

    Parabéns pequeno notável! E excelente texto jaiminho!

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