20 de agosto de 2015

Sobre os rádios

(Proíbe tudo, Bernie) A FIA divulgou uma lista com as mensagens permitidas entre piloto e equipe a partir de 2016. Mas não comemorem ainda não. Eu dei uma passada rápida e, no fim das contas, deduzi que não muda muita coisa na regra dos rádios em relação ao que é praticado hoje. Coisas básicas como informações de tempo de volta, avarias no carro, bandeiras e condições climáticas continuam permitidas. 

Me chamou a atenção o item "Número de voltas que um concorrente completou com determinado jogo de pneu durante a corrida". Porra, tem coisa mais idiota e sem sentido?!

Sobre isso, vou resgatar um trecho de um texto meu de Janeiro desse ano:
"(...) porque hoje o carro já sai dos boxes acertado - por computador - para virar o mais rápido possível. E quando o piloto não corresponde a esse potencial máximo do carro, seu engenheiro prontamente "passa a cola" pelo rádio, dizendo em qual centímetro da curva X o piloto pode apertar mais 1/4 do acelerador pra ganhar mais 0s025 de tempo. Ou qual botão no volante ele tem de mexer.
Antigamente era o piloto quem literalmente "sentia" o carro. Era necessário descobrir na prática o que fazer para melhorar a performance do carro. Aumentar ou diminuir asas, mudar o balanço de freio, cambagem, pressão dos pneus... Para saber se ganhava-se tempo em determinada curva, a única alternativa era ir lá e tentar fazê-la acelerando mais. Se desse certo, o cara baixava o tempo, se desse errado, ele batia (e morria, muitas das vezes)."
Enfim, quem acompanha o blog sabe que por mim proibia-se completamente o rádio. Mensagens entre box e piloto apenas por meio de placas e ponto final. Limitar a quantidade de informações que é passada via telemetria também é uma boa medida - o piloto que se vire para entender o carro e saber o que fazer, qual a melhor estratégia, quando o pneu está no fim da vida e etc.



Na foto, Hans-Joachim Stuck mostrando um pequeno incentivo ao seu companheiro de Shadow, Clay Regazzoni, em Nurburgring (1978).

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