26 de novembro de 2015

Insanidade

O Grupo B foi criado em 1982, em substituição ao Grupo 4 [composto por carros de turismo modificados] e ao Grupo 5 [de carros protótipos de turismo].

Diferentemente desses outros dois, o novo campeonato praticamente não tinha regras.

O limite de produção mínima era de apenas 200 unidades de rua. Não havia peso mínimo ou limitações tecnológicas nos modelos utilizados...

A potência também era ilimitada!

Com isso, vários fabricantes toparam a idéia de se aventurar nas pistas - e bater seus adversários - sem ter de se preocupar em desenvolver um modelo de produção em larga escala.

Com isso, o Mundial de Rali se popularizou.

Nasceram os monstros.

Audi Quattro, Lancia Delta S4, Peugeot 205 T16...

Carros que chegavam a ter mais de 450 cv e menos de 1.000 quilos!

Estamos falando de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos.

Só pra lembrar, os caras andavam com essas coisas na neve, na terra, na lama, em penhascos...

Nada de circuitos, áreas de escape, barreiras de pneus...



Algumas lendas surgiram por trás dos volantes desses verdadeiros monstros.

Super heróis mesmo!

Nomes como Juha Kankkunen, Hannu Mikkola, Walter Röhrl, Henri Toivonen, Ari Vatanen, Timo Salonen, Stig Blomqvist e Michèle Mouton faziam brilhar os olhos de quem acompanhava a coisa de perto...

Uma curiosidade.

Em 1986, Henri Toivonen aproveitou a ocasião do Rali de Portugal para dar uma volta com seu Delta S4 no circuito de Estoril; e , o tempo conseguido pelo finlandês lhe daria o sexto lugar no grid da Fórmula 1.

Em plena era Turbo!

Isso mostra como os carros eram assustadoramente rápidos.

Basta ver o vídeo no final do post para entender...



Mas tudo tem o seu preço.

Em determinado momento as máquinas de aço se desenvolveram ao ponto de não mais serem páreo para as máquinas de carne e osso.

Os reflexos dos pilotos [por melhores que fossem] de nada adiantavam...

Com isso, os acidentes passaram a acontecer cada vez com mais frequência.

E veio a tragédia.

No Tour de Corse, em 1986, o Lancia de Henri Toivonen sai da estrada, bate numa árvore e explode.

Tanto o piloto quanto o navegador Sergio Cresto morrem instantaneamente.

Ali morreu o Grupo B...

Em decorrência do acidente, Jean-Marie Balestre e FISA decidem banir o Grupo B no final de 1986. Mais tarde, ficou comprovado que os carros realmente eram mais rápidos do que os reflexos dos pilotos.

Restam apenas as belas imagens, as histórias...

E o som.

6 comentários:

  1. Parabéns pela matéria meu amigo! Fazia tempo que ninguém revivia os mitos e lendas da melhor categoria que o automobilismo já viu!

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  2. Jaime...

    estou sempre aprendendo coisas novas aqui neste espaço...

    ótimo texto... parabéns...

    e o título dos post é mais que oportuno...

    abs...

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  3. Prezado Jaime,

    Excelente post.
    Aproveito para lhe dar a dica (primeiros testes do Lancia Delta S4, 1984):

    https://www.youtube.com/watch?v=puYF-4YM-x0

    Desde o início já impressionava muito...

    Um abraço,
    Danilo Candido.

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  4. Diz a lenda que esses 450, 500cv eram declarados, porque na real, eram tão potentes quanto os Fórmula 1 da época, coisa de perto de 1000cv... Era, realmente, insano...

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  5. Antes do acidente teve um acidente no rally de Portugal em que vários espectadores foram atropelados. Esses acidentes seguidos decretaram o fim do Grupo B

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