18 de dezembro de 2017

Baú do Motordrome: equipe Dywa

O Abdel Ayech Junior matou nos comentários e, como prometido, trago hoje a história da equipe Dywa, resgatada diretamente dos arquivos empoeirados do finado Motordrome...

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A pequena Dywa tem uma das histórias mais obscuras do automobilismo. Ainda hoje, em tempos de internet e fácil acesso à informação, pouco se sabe sobre a equipe italiana, que nunca conseguiu participar de um Grande Prêmio de F1.



Na Fórmula 1 atual, altamente capitalizada, não há mais espaço para artesãos, entusiastas e/ou garagistas. As equipes menores que ainda assim se aventuram na categoria máxima duram poucas temporadas antes de quebrarem - vide os atuais casos de Hispania, Caterham, Marussia e afins. Isso, só para citar algumas... Puxando um pouco (não muito) na memória lembramos da Super Aguri, Spyker, Midland e por aí vai.

Mas nem sempre foi assim. A F1 já foi uma categoria com um paddock bem mais acessível, com carros de design inovador (e totalmente diferentes entre si), motorizações distintas, ondem o limite era a imaginação e criatividade dos projetistas.

Neste cenário, "Dydo" Monguzzi (nascido Pietro Monguzzi) foi mais um destes garagistas que, junto com seu irmão Walter, decidiu construir um carro de Fórmula 1 totalmente artesanal. Entre 1973 e 1980, os irmãos Monguzzi tiveram quatro criações anunciadas para a F1, mas que nunca chegaram a ser inscritas num único GP. Por isso, a equipe Dywa (analogia aos nomes de Dydo e Walter) não aparece em nenhuma estatística, como se não tivesse existido.

Talvez fosse melhor assim...



Dydo começou ainda jovem a atuar como mecânico no circuito de Monza. Pouco depois, se especializou no transporte de carros de corrida destinados a exposições e feiras. Depois, passou a trabalhar exclusivamente para a Marlboro, transportando McLarens, Alfa Romeos e Ferraris ao redor do mundo.

Ao transportar carros de corrida de terceiros, Monguzzi alimentou o sonho de desenvolver o seu própriobólido de competição, e ainda na década de 60' decidiu construir um modelo para a Fórmula Monza - categoria júnior italiana com a qual Monguzzi sempre esteve envolvido.

Em 1975 Manguzzi decidiu instalar um motor Chevrolet 5.0 litros n'um chassis Lola, acoplar uma caixa de câmbio Hewland e criar um carro para o Campeonato Europeu de Formula 5000. A primeira (e única) corrida do modelo aconteceu em 31 de março de 1975, em Brands Hatch, tendo como piloto Luigi Mimmo Chevasco. No enanto, a aventura (financiada pelo fabricante de calçado italiano Rossetti) não foi longe, pois o carro (inscrito sob o numeral #51) não se classificou para a prova.

Design inovador visando a F1



O DYWA 08, apresentado em 1979, era um carro completamente novo. Empurrado por um Cosworth DFV 3.0 V8, era branco e caracterizado por uma linha bem peculiar (semelhante ao bico de um Concorde) e sem as asas dianteiras (os famosos "bigodes"). A asa traseira também tinha uma forma bastante incomum, com as paredes laterais unidas à carroceria e à linha dos tanques laterais (onde estavam os radiadores), além de saias para o efeito solo - esta solução também foi usada por Willy Kauhsen no seu WK01, pilotado por Gianfranco Brancatelli e Patrick Neve também em '79.

Assim como o Kauhsen, o modelo apresentado por Monguzzi surpreendeu muitos chefes de equipe de diversas categorias (inclusive equipes com mais recursos técnicos e econômicos), o que certamente foi um feito para um modesto garagista italiano. Segundo Monguzzi, o carro estaria pronto para competir no GP da Bélgica, e seria pilotado por Alberto Colombo, mas isso nunca aconteceu.




Acima, o Kauhsen WK01, de 1979, que serviu de inspiração para o Dywa 01

O vexame em Monza

Um ano mais tarde, em 1980, Dydo Monguzzi afirmou que o DYWA 010 (uma evolução do 08) estava finalmente pronto para correr, e decidiu inscrever o carro no Campeonato Britânico de F1. Em Monza, na primeira aparição pública do modelo, Piercarlo Ghinzani assumiu o volante que já havia passado pelas mãos do piloto de F2 Maurizio Flammini durante alguns testes.

Assim como em Mônaco, os treinos livres em Monza aconteceram na quinta-feira, e Ghinzani não deu mais do que algumas voltas de instalação. No sábado, foram apenas 5 giros antes que o carro acusasse um vazamento de óleo e abandonasse a seção...

O resultado?

Eles obviamente não se classificaram para a prova. Mas não pára por aí. O DYWA foi 20 segundos mais lento do que o 2º carro mais lento do treino - então um Chevron de F2 pilotado por um desconhecido de nome Roy Baker. Além disso, o tempo de Ghinzani foi assombrosos 37 segundos (!) mais lento do que a pole para aquele GP, conquistada por Emilio de Villota, a bordo de um Williams FW07.



Acima, o DYWA 010, que não conseguiu correr na F5000.

Por que não tentar de novo?

Em 1983, quando a FIA decidiu modificar o regulamento técnico da F1 para a temporada de 1985, aumentando a cilindrada dos motores para 3.500cc e criando a F3000 com os velhos Cosworth ex-F1 em substituição à F2, Monguzzi viu a chance de utilizar o Dywa 010 em sua configuração original para nova categoria.

[...]

O objetivo era estrear na F3000 com um carro novo, mas por que criar um carro completamente do zero se você pode optar por mudar o nome do DYWA para Monte Carlo GP 001 e continuar o seu desenvolvimento?

E assim foi feito. Com a aerodinâmica é completamente refeita e uma nova decoração vermelho e branco (as cores da bandeira de Mônaco), o Monte Carlo GP 001 foi apresentado à imprensa em 1986, na presença do príncipe Albert II e, em seguida, testou na pista de Le Luc tendo como pilotos o próprio Ballabio e Richard Dallest (este último, só pilotando o carro no final da temporada, pois estava sob contrato com a AGS  - que permitiu o teste em sua pista privada).

Um fim melancólico

A primeira corrida do Monte Carlo 001 aconteceu no Trofeo Elio de Angelis, então a quinta etapa do campeonato de F3000 de 1986, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola. Ballabio foi o responsável por guiar o carro na classificação, mas, com o 36º e último tempo não conseguiu alinhar no grid e decidiu abandonar o projeto do DYWA 010 e utilizar um March nas tentativas seguintes da sua equipe.

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