29 de outubro de 2012

Até ontem

Eu juro que tentei não escrever nada. Mas, não deu pra segurar. O Autódromo de Jacarepaguá silenciou definitivamente hoje, e não posso passar indiferente à este fato. Seria uma tremenda injustiça.

Foi lá que, em 1996 vi André Ribeiro vencer a Indy - na estréia do Circuito Oval - e ser aclamado pelo grande público nas arquibancadas. No mesmo ano, vi uma das lendas das duas rodas, Michael Doohan, vencer por aqui. Ali, um ano antes, nasceu meu amor pelo automobilismo. Não foi vendo Senna na tevê. Foi lá, ao vivo, ouvindo o ronco dos motores, vendo aquelas máquinas passar beirando o desgoverno, aquele cheiro de borracha queimada...

Eu era muito novo. Então um menino com 9 anos de idade... E qual menino não ficaria fascinado com aquilo tudo?!

Pois é, eu fiquei.

Até 2004 acompanhei a todas as etapas da MotoGP. E não foi só. Nesse meio tempo comecei a frequentar o lugar sozinho, e passei a ver corridas de TUDO que você possa imaginar. Desde as de longa duração - como as tradicionais 6 Horas do Rio de Janeiro - até etapas do Brasileiro de Marcas, do Estadual de Turismo, Stock Car, F3 Sul-Americana, Copa Clio, Copa Uno...

Com isso, o menino que cresceu ali na arquibancada começou a sonhar em um dia poder sentar num daqueles carrinhos. Pois bem. O sonho começou a virar realidade quando esse menino sentou num kart pela primeira vez, ainda na pista indoor do Shopping Nova América (esta, já não existe mais). Depois vieram corridas no kartódromo Premium, na Barra (outra que não está mais lá).

Pouco tempo depois, veio o curso de pilotagem da ONS, e não demorou para eu colocar as mãos na minha primeira carteirinha da FAERJ. Ou seja, o sonho estava parcialmente realizado.

A partir daí abandonei os karts e foquei no meu sonho. Eu queria mesmo era acelerar de verdade...

Consegui alinhar por três vezes no Estadual de Turismo. O carro era alugado, e o dinheiro vinha de um empréstimo no banco de um simples universitário sem nenhum planejamento financeiro (empréstimo esse que só foi quitado agora, no final de 2011). Foi tudo escondido. Ninguém da família sabia de nada. Achavam que o empréstimo era para a faculdade e o tempo no autódromo era somente como espectador...

Mas eu consegui. E a sensação é, até hoje, inenarrável, indescritível...

Eu chorei. Chorei muito. Lembro até hoje de que não acelerei tudo. Afinal, não teria como arcar com os custos de qualquer prejuízo. Uma porrada seria a morte. Das três provas, terminei todas discretamente. Na última, melhorei um pouco, mas não fui nada além de razoável. 

E sinceramente, foda-se! Nada disso importava. Deste momento em diante eu podia bater no peito e bradar aos quatro ventos "eu sou um piloto de carro de corridas!". E sou, até hoje, de coração.

Enfim.

Como era de se esperar, a carruagem virou abóbora. O dinheiro acabou, a dívida surgiu, o meu filho nasceu e o sonho foi ficando na memória. Porém, realizado. A partir desse momento posso dizer que retrocedi no automobilismo, pois abandonei os carros e passei a andar mais frequentemente de kart. Entrei para um grupo amador - o Pé na Tábua - fiz amizades e gostei da brincadeira. 

Mas não abandonei minha segunda casa, Jacarepaguá. Continuei acompanhando todos os eventos que por lá aconteciam. Ainda que com a arquibancada fechada, com divulgação zero; fizesse chuva ou sol, eu estava lá. 

... Até ontem.

Adeus Autódromo de Jacarepaguá! Em todos estes anos você foi maravilhoso. Você despertou naquela criança de 9 anos de idade a paixão pelo esporte a motor. Aquela criança cresceu, e você continuou maravilhoso, me ensinando a perseguir um objetivo. Você ajudou a realizar o sonho daquele menino, inclusive. E até ontem você fez renascer o mesmo menino a cada corrida, fazendo brilhar seus olhos a cada ronco de motor...

... Até ontem.


28 de outubro de 2012

Caminho das Índias

(Era esperado, enfim) Comecei a escrever este release ainda na metade da bagaça. E, caso não caísse um 747 em cima do carro de Vettel, dificilmente alguma coisa iria mudar. Pois bem, o avião não caiu e nada mudou. Vettel venceu mais uma, fácil.

E, na falta de uma corrida boa, pipocam aqui e ali comentários do tipo: "Com a vitória de hoje, Vettel igualou o recorde de Senna em 1989, vencendo três corridas consecutivas liderando todas as voltas".  E eu me pergunto: E daí? Putz...

Enfim, vamos falar da corrida.

Ainda na largada, Webber milagrosamente saiu melhor do que Vettel. Mas, não foi macho o suficiente para emparelhar. Alonso foi. Jantou as duas McLarens de uma só vez na reta oposta. Button repassou, mas tomou outro passão do espanhol quatro voltas depois. Lá atrás, Vergne deu o troco por Cingapura em Schumacher e furou o pneu do alemão.

Schumacher que mais tarde seria investigado por ignorar bandeiras azuis. Força do hábito. Durante toda a carreira ele realmente tinha de ignorá-las. Deviam dar um desconto, pois. Seu companheiro, Rosberg, também não estava nos melhores dias. Tomou um passão de Bruno Senna há dez voltas do fim e perdeu o miserável pontinho que 10ª posição oferece. Tempo de vacas magras na Mercedes. E Hamilton vai pra lá... Que bom!

Hamilton esse, que até fez boa corrida. No fim, apertou Webber e, se a corrida tivesse mais uma volta, passava o australiano e ia ao pódio. Mas, não. Não deu. Terminou em quarto, à frente do companheiro vaga-lume Button que - como previ ontem - fez uma corrida apagada...

Apagado como Massa. Que, diferente das duas últimas provas, voltou a fazer o seu feijão com arroz. Foi combativo no início e depois sumiu. Em resumo, passou a corrida toda se defendendo de Räikkönen. Só.

E, lá na frente...

O óbvio acontecia. Vettel seguia em velocidade de cruzeiro, diferente de Webber; que foi superado por Alonso quando o Kers da Red Bull resolveu dar pau. "Ah, mas o Alonso só passou porque o Webber teve problemas" disseram alguns. Porra nenhuma! Passou e ponto.

Foi só.

Agora Vettel tem 240 pontos, contra 227 do espanhol, faltando três provas para o final. A fisionomia de Alonso no pódio de hoje dispensa comentários. Mas...



... lembro como se fosse hoje do GP do Japão de 2006. O inquebrável motor da Ferrari de Schumacher - que liderava o mundial até então - abrindo o bico na penúltima corrida da temporada. E pior, quando liderava a prova. Era o Bi de Alonso...

Lembro também da afirmação de um ex-professor meu: "A esperança é a última que morre... Mas morre! E às  vezes de maneira trágica".

26 de outubro de 2012

Derradeira

(Eu vou. Vamos?) Seguinte macacada. Aviso em cima da hora, como sempre. Este fim de semana teremos a última corrida do Autódromo de Jacarepaguá. O último evento antes da demolição. Trata-se da oitava rodada dupla do Carioca de Turismo. Pra quem gosta, tem etapa do Estadual de Arrancada também.

No sábado, treinamos às 12h50. Não paga nada para assistir. É chegar, falar que me conhece e entrar. A entrada é pelo Portão 7. No domingo o ingresso custa 20 mingaus, e paga-se mais 10 dilmetes para parar o carro no que restou do estacionamento. Ou seja, merreca. As duas baterias largam às 10h15 e às 12h50.

A programação é essa aí embaixo:


08:00 às 08:15 h - Warm-up
08:25 às 09:45 h - Treino Livre Força Livre

09:55 h - Abertura da saída de box 
10:05 h - Fechamento da saída de box
10:10 h - Placa de 5 minutos
10:15 h - Largada da 17ª prova - 20 voltas ou no máx. 35 minutos
10:50 h - Podium

11:00 às 12:20 h - Treino Livre Força Livre

12:30 h - Abertura da saída de box 
12:40 h - Fechamento da saída de box
12:45 h - Placa de 5 minutos
12:50 h - Largada da 18ª prova - 20 voltas ou no máx. 35 minutos
13:40 h - Podium


Você que é do Rio, está convidado a prestigiar. Se gosta de automobilismo então, está intimado a comparecer. E não reclame. A cada dois anos você é obrigado a votar: coisa bem pior do que assistir a um bom pega numa pista de corrida.

Vamos nos despedir de um dos templos do automobilismo brasileiro. Um autódromo que viu a estréia de Ayrton Senna na F1, o primeiro pódio com Piquet e Senna, o primeiro pódio da equipe Copersucar Fittipaldi e um dos dois únicos no mundo - igualando-se à Indianápolis - a sediar etapas da F1, Indy e MotoGP.

Uma pena.

19 de outubro de 2012

Medalhão

Bom dia!

Começando os trabalhos com Jackie Stewart em Montjuïc, 1971. O escocês venceu a prova, e sagrou-se bi-campeão ao final da temporada. Um dos medalhões do esporte. Digno de conduzir essa belezura que era o Tyrrell 001...

18 de outubro de 2012

Chega pra lá

(... Patinho feio) Aconteceu na quarta-feira - mais conhecida como ontem - durante os treinos para a Petit Le Mans, em Road Atlanta. O revolucionário protótipo DeltaWing, da Nissan, foi abalroado por um Porsche da categoria GT. O estranho carrinho saiu da pista, capotou, coisa e tal. Enfim, sifu.

Eu gostaria muito de acreditar que o piloto do Porsche perdeu o controle do carro, e tudo não passou de um acidente. Mas, não...

O vídeo tá aí embaixo. Tirem suas conclusões.

16 de outubro de 2012

Mais um

(Não tem tu, vai tu mesmo) A Ferrari anunciou hoje a renovação do contrato de Felipe Massa para a temporada 2013. A notícia não é assim, uma novidade. Afinal, o Américo Teixeira Jr. cravou isso há mais de um mês, e Lito Cavalcanti também, na semana passada.

E agora, a pergunta é: o que esperar de Felipe?

Não muita coisa. Enquanto tiver Fernando Alonso como companheiro de equipe, não vejo Massa capaz de fazer muito mais do que fez de 2010 pra cá, que até agora soma 6 pódios e nenhuma vitória, contra 20 pódios - sendo 9 vitórias - do asturiano. É, não é preciso falar muito mais do que isso.

E mais.

Não acredito que Massa tivesse muitas portas abertas na categoria. Não porque é um piloto ruim. Não o é. Mas é um piloto caro, e sua pilotagem hoje está na média da garotada do grid. A Ferrari por sua vez, também não tinha muitas opções. E acabou ficando no lucro. Pensem: o brasileiro já conhece a equipe, o carro, obedece ordens, não cria problemas internos, e ainda aceitou reduzir seu salário... 

Enfim, é uma boa notícia. Que ele aproveite a oportunidade.

14 de outubro de 2012

Assustador

A se registrar o acidente sofrido pelo piloto Diumar Bueno ontem, durante os treinos para a etapa da Truck em Guaporé/RS. O piloto perdeu o freio em plena reta, quando estava a mais de 180 km/h.

Sua jamanta, descontrolada, atravessou a pista, decolou na zebra, levou barreira de pneus, muro, árvores, tudo. O caminhão só foi parar... FORA DO AUTÓDROMO! 

O vídeo da panca é esse aí embaixo. E a violência da porrada impressiona.

Milagres em Yeongam

Vettel venceu hoje na Coréia, no melhor estilo Gangnam. Dizem as más línguas que assumiu a ponta do mundial para não mais sair de lá. Os que torciam contra Alonso, já o enterraram. Sei não...



Eis o que eu vi. 

A largada foi limpa, com pouco incidentes. No meio do bolo, Kobayashi acertou Button. Mito não abandonou. Já o campeão vaga-lume seguiu a sua sina como um reloginho britânico (corrida boa, corrida ruim)Nico Rosberg também estava na confusão, e foi outro que não passou da primeira volta. De novo.

Lá na frente Webber largou mal. De praxe. Com isso, Vettel assumiu a ponta e venceu a corrida com 54 voltas de antecipação. De praxe também. 

E, para os que apostavam em uma tocada conservadora de Alonso, sifu. O asturiano cuspiu no dele e partiu pra cima de Hamilton. Dividiu umas curvas e passou. Massa também foi bem. Arrojado, passou Räikkönen com o pau na mão, ainda na primeira volta.

O primeiro milagre aconteceu por aí. Foi uma das poucas corridas em que o Bruno Senna não precisou trocar o bico na primeira volta. Ganhou cinco posições... E só. Tanto ele quanto Maldonado sucumbiram a tudo e todos durante a corrida. 

Depois desse oba-oba, quase nada aconteceu. E não perderei meu tempo tecendo meus comentários cobiçadissimos por pouca merda. A corrida ficou chata. 

O primeiro lance pra valer aconteceu depois da volta 20. Uma disputa entre Räikkönen Hamilton. O finlandês encostou, passou e tomou o troco. Foi bonito. E só.

Pouco depois, aconteceu o duelo explosivo entre Grosjean e Maldonado. Muito melhor do que a luta que a Globo passou antes. Poderia desencadear a Terceira Guerra Mundial, o fim dos dias, o Apocalipse... Mas, nem isso. Nem uma troca de tintas.

Foi o segundo milagre.

Grosjean ainda teve carro para encostar em Hamilton (torci como nunca para dar merda, mas de novo não deu). Encostou e passou. 

Foi o terceiro milagre.

Aliás, fez uma corrida de gente grande, esse Grojsean. Classificou bem, fez as primeiras curvas em ritmo de Safety Car, e travou belos duelos. Todos limpos. Mostrou que é talentoso, e rápido. Quando não despiroca nas largadas, anda na frente com certa autoridade. Vai entender...

Massa foi outro. Não sucumbiu ao ritmo de prova, nem aos pneus. Suas sinas eternas. Não fossem as circunstâncias do campeonato, jantaria Alonso e - me arrisco a dizer que - pelo menos um a Red Bull de sobremesa. 

O ritmo do brasileiro foi o quarto milagre.

E só. Nada mais aconteceu. Ainda restam quatro corridas pela frente - que poderiam ser classificadas como duas pistas chatíssimas, uma incógnita, e apenas um circuito de verdade - Alonso precisa de um milagre. 

Seria o quinto da série...

11 de outubro de 2012

Doce engano

(Quem viver verá) Depois de Suzuka, já vi muita gente apostando na certeza do título de Sebastian Vettel

A maioria simplesmente descarta Fernando Alonso. Se baseiam na tese de que a Ferrari não tem o melhor carro do grid e blá blá blá. Só esquecem de lembrar que os italianos nunca tiveram um carro competitivo. E, mesmo assim, Fernandinho lidera o mundial até aqui...

A capacidade que o asturiano tem de andar mais do que carro e quase não cometer erros, impressiona. E quando comete, ele é capaz de arriscar tudo na próxima corrida. E não pense que o talento de Vettel e a superioridade da Red Bull o assustam.

Ele ganhou seus dois mundiais em circunstâncias parecidas. Do outro lado do ringue havia a outrora imbatível Ferrari de Michael Schumacher. E as batalhas em 05' e 06' marcaram época. Lembra de alguma? Clica aqui.

Pra ele, não importa se larga na frente ou de trás, se a pista está seca ou molhada e se conta com um equipamento de ponta ou não... Alonso é sabidamente o melhor piloto do grid. E um grande jogador.

Eu não o descartaria. E, antes que venham falar abobrinhas, isso não é uma torcida. É uma constatação.

9 de outubro de 2012

Girls

A lanterna ali no pé da moça quase me confundiu. Mas, é claro que se trata de um Fusca. Vermelhinho, lindo. Tem uns detalhes pra ajeitar - como o friso faltando ali na frente - mas parece estar muito bem conservado.